Home NotíciasAirbus e Air France são responsabilizadas por acidente aéreo que ceifou 228 vidas em 2009 na França

Airbus e Air France são responsabilizadas por acidente aéreo que ceifou 228 vidas em 2009 na França

por Amanda Clark

Na quinta-feira, 21 de maio, a Justiça da França declarou a Airbus e a Air France culpadas por homicídio culposo em relação ao trágico acidente do voo AF447, que ocorreu em 2009 entre o Rio de Janeiro e Paris, resultando na morte de 228 pessoas. Esta sentença vem quase 17 anos após a maior catástrofe aérea da história da França.

O tribunal considerou ambas as empresas como “as únicas responsáveis” pela tragédia, impondo uma multa máxima de 225.000 euros (equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de reais) para cada uma delas, conforme solicitado pela promotoria ao longo do julgamento que se estendeu por oito semanas.

Em resposta à decisão, a Air France anunciou que irá recorrer à Suprema Corte francesa. A companhia afirmou estar ciente de que esse recurso poderá prolongar um processo já demorado, especialmente para as famílias afetadas, mas enfatizou que sua responsabilidade criminal já havia sido rejeitada em outras duas ocasiões.

Durante o julgamento, tanto a Airbus quanto a Air France negaram qualquer culpa penal e alegaram que as decisões errôneas dos pilotos em uma crise foram as principais responsáveis pelo incidente. Advogados franceses acreditam que novos recursos ao tribunal superior podem adiar a resolução do caso por mais alguns anos.

Recordando o ocorrido:

O voo AF447 desapareceu dos radares no dia 1º de junho de 2009, com passageiros de 33 diferentes nacionalidades a bordo. As caixas-pretas foram encontradas dois anos depois, após extensas buscas no fundo do oceano. Uma investigação realizada pela BEA (Bureau d’Enquêtes et d’Analyses), órgão responsável por investigar acidentes aéreos na França, revelou em 2012 que os pilotos conduziram o avião a uma situação de estol – um fenômeno onde a aeronave perde sustentação – devido à resposta inadequada diante de um problema gerado pelo congelamento das sondas Pitot, que são responsáveis por medir a velocidade da aeronave.

As análises das caixas-pretas confirmaram que as sondas estavam congeladas enquanto o Airbus A330 voava em altitude elevada em uma área com condições climáticas severas próximo à Linha do Equador.

A acusação focou nas supostas falhas tanto da Airbus quanto da Air France, incluindo treinamento insuficiente dos pilotos e falta de monitoramento sobre incidentes semelhantes anteriores. A Airbus foi criticada por minimizar os riscos associados aos problemas nas sondas Pitot e por não alertar as companhias aéreas com agilidade suficiente. Por outro lado, a Air France foi acusada de não proporcionar o treinamento adequado aos pilotos para lidar com situações envolvendo o congelamento das sondas e de falhar em informar corretamente as tripulações sobre os riscos envolvidos.

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