Na terça-feira (16), o governador interino Ricardo Couto declarou que sua meta é deixar o Estado do Rio de Janeiro com um superávit de R$ 5 bilhões. A afirmação foi feita durante um almoço no Copacabana Palace, onde se encontrava com empresários do Lide, na Zona Sul carioca. A informação foi divulgada pelo portal Tempo Real.
Couto apresentou esse objetivo juntamente com a revelação de que não tem planos de continuar na vida política. Ele destacou a intenção de reverter um déficit estimado em R$ 18,9 bilhões nas contas do estado, encerrando sua gestão com resultados financeiros positivos: “Quero entregar o Rio com um superávit de R$ 5 bilhões”, afirmou.
A plateia, composta por empresários, autoridades estaduais e líderes do setor produtivo, aplaudiu suas palavras.
Secretário da Fazenda menciona mais de 30 iniciativas para sanar o déficit
Após as declarações de Couto, o secretário estadual da Fazenda, Guilherme Mercês, considerou a meta desafiadora para sua equipe econômica. Ele mencionou o montante do déficit previsto na Lei Orçamentária de 2026 e afirmou que o governo já está atuando em várias frentes para alterar a situação fiscal.
“Estamos desenvolvendo um extenso conjunto de medidas; são mais de 30 ações planejadas para transformar esse déficit de R$ 19 bilhões previsto na Lei Orçamentária de 2026 em um resultado positivo até o final do ano”, declarou Mercês.
Em tom descontraído, o secretário fez uma observação sobre a grande diferença entre o resultado negativo atual e a meta estabelecida pelo governador. “Pois é, saindo de 19 bilhões no vermelho para cinco bilhões no azul. Vou ter que me virar em 24 bilhões”, brincou.
Durante o evento, Mercês também destacou que o estado possui “a pior arrecadação per capita de ICMS do Brasil”. Ele mencionou que os níveis atuais desse imposto são equivalentes aos registrados em 2018, o que contribui para as dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado.
Dentre as estratégias mencionadas pela Fazenda estão ajustes fiscais e medidas contra a sonegação fiscal. Contudo, ainda não foram divulgados todos os detalhes das metas que serão adotadas para converter o déficit em superávit.
Projeto sobre devedores contumazes será enviado à Alerj
O secretário também informou que o governo pretende enviar à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro uma proposta destinada ao combate aos chamados devedores contumazes — indivíduos ou empresas que frequentemente falham no pagamento de tributos como parte de sua prática habitual. “A dívida dos contribuintes cresce anualmente; eu diria que atualmente é o maior ativo que temos após a venda da Cedae”, afirmou Mercês.
Ele revelou que Couto tem mantido diálogo com o presidente da Alerj para buscar a aprovação da proposta. Para Mercês, essa iniciativa pode melhorar a concorrência no mercado fluminense e incrementar a arrecadação estadual. “Acreditamos na sensibilidade dos legisladores para aprovar este projeto devido à sua importância para o estado e à capacidade não apenas de aprimorar a competitividade no mercado local, mas também de resguardar as empresas idôneas e cobrar das inadimplentes suas obrigações tributárias”, ressaltou.
O secretário comentou ainda sobre as negociações referentes ao terreno da Refit, propriedade da União e alvo do interesse estadual para desapropriação. Ele explicou que coube à Secretaria da Fazenda bloquear operações após a anulação do CNPJ pela Receita Federal tanto da refinaria quanto das distribuidoras associadas ao caso. “Ambas foram impedidas tanto de realizar compras quanto de emitir notas fiscais”, esclareceu.
Couto critica influência política nas secretarias
Aproveitando seu discurso sobre as contas públicas, Ricardo Couto teceu críticas à interferência política na administração estadual. Ele mencionou ter ouvido frases como “essa secretaria é minha” ao assumir o cargo, sugerindo uma espécie de captura do Executivo pelo Legislativo. “Quando cheguei aqui, ouvi: ‘essa secretaria é minha, essa não é minha…’”.
Couto salientou que o Rio possui atualmente o maior número de secretarias do país — totalizando 32 pastas — e uma das metas durante sua gestão é enxugar essa estrutura administrativa. “Estamos simplificando a máquina pública, reduzindo contratos e secretarias. Quem está no governo agora não pensa nas eleições devido ao contexto atual”, afirmou.
Durante seu discurso, ele se posicionou como gestor temporário e afirmou esperar permanecer cerca de 90 dias no cargo; contudo, acabou estendendo sua permanência por decisão do Supremo Tribunal Federal. “Não terei pretensões políticas. Ser magistrado é a escolha correta. No entanto, também fazemos gestão e me preocupei ao ver a situação encontrada no estado”, completou.
No início da fala, Couto fez uma brincadeira sobre estar ainda no cargo e mencionou seu time: “Sou botafoguense e certas coisas só acontecem conosco”.
Aproximação com empresários
<p.Diante dos empresários presentes, Ricardo Couto garantiu que seu governo buscará manter um diálogo aberto com o setor produtivo e assegurou que não adotará medidas fiscais restritivas contra as empresas. Ele enfatizou a importância dessa comunicação com aqueles que investem e fomentam atividades econômicas: “O estado só poderá progredir se dialogar com os empresários. Sabemos quão essenciais vocês são aqui”.
O almoço teve como pauta “Desafios e Perspectivas da Gestão Pública do Rio de Janeiro: Construindo um Futuro Sustentável e Resiliente”. Além dos discursos proferidos por Couto e Mercês, estiveram presentes diversas autoridades como o prefeito Eduardo Cavaliere; Carlo Caiado, presidente da Câmara Municipal; Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan; bem como deputado federal Pedro Paulo.
Ainda compareceram Priscila Sakalen (secretária estadual de Transporte), Flavio Willeman (secretário estadual da Casa Civil), Luciana Calaça (secretária estadual de Educação), Roberto Leão (secretário estadual do Gabinete de Segurança Institucional), Eric Tallon (cônsul-geral da França) e Anjoum Noorani (cônsul-geral britânico).