Home NotíciasMPF busca impedir interrupção de ambicioso projeto em armazém centenário no coração do Rio

MPF busca impedir interrupção de ambicioso projeto em armazém centenário no coração do Rio

por Amanda Clark

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça visando assegurar a continuidade do projeto de revitalização do Armazém Docas Pedro II, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro. A solicitação inclui a liberação imediata de R$ 10 milhões para que as obras do Centro de Interpretação do Cais do Valongo, também conhecido como Centro de Memória Africana, possam ser iniciadas.

A petição foi protocolada na 20ª Vara Federal Cível do Rio de Janeiro depois que o MPF detectou um potencial risco de paralisação das obras devido ao bloqueio de recursos do Fundo Nacional de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), que é uma das fontes financeiras planejadas para o projeto.

Conforme explicou o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, que lidera a ação, a limitação orçamentária pode afetar o cumprimento de uma decisão judicial já proferida e prejudicar um processo licitatório que já foi encerrado e homologado.

O MPF solicita à Justiça que determine à União a liberação dos recursos essenciais para firmar um contrato com a empresa vencedora da licitação e iniciar as obras. Além disso, o órgão requereu ao Ministério da Justiça que analise com prioridade uma proposta apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para modificar o enquadramento temático do projeto.

Este empreendimento faz parte das iniciativas para valorizar o Cais do Valongo, reconhecido pela UNESCO como patrimônio mundial devido à sua relevância histórica relacionada à chegada de africanos escravizados ao Brasil.

Em documentos mencionados pelo MPF, consta que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, comunicou em março deste ano que a Lei Orçamentária Anual restringiu os recursos disponíveis no FDD. Em função da falta de financiamento, o ministério sugeriu adiar o início das obras para 2027.

Entretanto, o Ministério Público ressalta que a indisponibilidade dos fundos não foi informada ao Judiciário, nem ao próprio MPF ou ao Comitê Gestor do Cais do Valongo. De acordo com o MPF, equipes técnicas do Iphan já haviam expressado internamente preocupações sobre os riscos de interrupção do projeto e possível perda da licitação.

A preocupação gira em torno de um contrato avaliado em R$ 77,48 milhões, cujo processo licitatório já foi homologado. Com a suspensão dos recursos financeiros, tanto a assinatura do contrato quanto a emissão da ordem de serviço estão paralisadas. Para o MPF, a perda dessa licitação pode acarretar danos à administração pública e elevação dos custos futuros devido à necessidade de atualização dos preços para uma nova contratação.

Docas Pedro II

Construído em 1871 e tombado pelo Iphan desde 2016, esse conjunto é considerado um marco da modernização das técnicas construtivas e das operações portuárias no Brasil durante um período marcado por grandes transformações urbanas no Rio. Em setembro último, o complexo recebeu o novo nome de Docas André Rebouças em homenagem ao engenheiro e abolicionista.

O tombamento abrange também a Pedra Fundamental do edifício e objetos armazenados em uma cápsula do tempo depositada em 15 de setembro de 1871, data em que se iniciou a construção do armazém. Esses artefatos foram descobertos em 2012 durante escavações arqueológicas na área do Valongo.

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