O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), apresentou uma denúncia contra dez policiais militares envolvidos em uma operação nas áreas de Nova Holanda e Parque União, localizadas no Complexo da Maré. Os crimes atribuídos a esses agentes, ocorridos em janeiro de 2025, incluem invasão de domicílio, desobediência e descumprimento de missão. A denúncia foi protocolada na Auditoria da Justiça Militar na última sexta-feira (10/04).
As apurações começaram após relatos feitos por testemunhas ao plantão da ADPF 635, que é mantido pelo MPRJ. As declarações indicam que os policiais, vinculados ao Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e designados para atuar sob o Comando de Operações Especiais (COE), adentraram diversas residências na comunidade sem autorização judicial e fora das circunstâncias legais estabelecidas, fazendo isso sem a presença dos moradores.
Conforme informações do GAESP/MPRJ, o cabo Rodrigo da Rocha Pita utilizou uma chave do tipo “mixa” para abrir portas e acessar os imóveis, frequentemente acompanhado de outros policiais, incluindo o sargento Cláudio Santos da Silva. Durante algumas dessas incursões, os agentes surpreenderam moradores que estavam dentro das casas.
A denúncia detalha que, depois de invadirem as residências, os policiais utilizaram os espaços para fins que não condizem com suas funções oficiais. Entre as ações inadequadas estão descansar em sofás e camas, usar banheiros das casas e consumir bebidas encontradas em um dos imóveis. Em várias situações, os agentes permaneceram por longos períodos dentro das residências, mesmo estando escalados para atividades operacionais.
Além disso, o Ministério Público apontou irregularidades no uso das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs). Policiais como Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes são acusados de sabotagem intencional dos equipamentos, fazendo com que registrassem apenas imagens vazias. Em outra ocorrência, o cabo Jorge Guerreiro Silva Nascimento teria manuseado a câmera de forma imprópria, prejudicando a gravação adequada das ações durante a operação.
Os sargentos Douglas Nunes de Jesus, Carlos Alberto Britis Júnior e Bruno Martins Santiago; o tenente Felippe Martins; bem como o cabo Diego Ferreira Ramos Martins também constam entre os denunciados. As alegações incluem ainda descumprimento de missão por parte dos agentes que falharam em realizar as atividades para as quais foram designados e ficaram dentro dos imóveis invadidos sem justificativa operacional adequada.