Queda nas Exportações para os Estados Unidos
As exportações do Brasil para os Estados Unidos registraram queda de 16% entre janeiro e maio de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas totalizaram US$ 14 bilhões no período, refletindo o impacto das tarifas impostas pela administração Trump.
O cenário comercial bilateral também mostra redução nas importações, que caíram 12,6% e chegaram a US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o Brasil apresenta déficit comercial de US$ 1,5 bilhões com os americanos, comprando mais do que vende.
Impacto das Tarifas Americanas
A redução nas exportações brasileiras para os EUA intensifica-se desde agosto do ano anterior, quando foram impostas as primeiras tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, as quedas mensais têm sido constantes e variáveis: 35% em outubro, 26% em janeiro, 20% em fevereiro, 10% em março e abril, e 14% em maio.
O governo Trump apresentou novas propostas de sobretaxas, incluindo uma de 12,5% anunciada recentemente e uma recomendação anterior de 25% sobre produtos brasileiros. O Mdic alertou que a eventual tarifa de 25% impactaria aproximadamente 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. A decisão final sobre essas medidas será tomada em audiência agendada para 7 de julho.
Diversificação Comercial e Novos Mercados
Apesar da queda para os EUA, o Brasil conseguiu diversificar seus parceiros comerciais com sucesso. O comércio total aumentou 8,7% até maio, demonstrando estratégia eficaz de realocação de vendas. A China consolidou-se como principal parceiro comercial, com crescimento de 21,8% nas exportações brasileiras até maio.
A abertura do mercado chinês para carne brasileira tornou-se particularmente relevante. O presidente Lula destacou que a China reconheceu o Brasil como livre da febre aftosa, permitindo acesso integral ao mercado asiático. Este desenvolvimento oferece oportunidades significativas para o agronegócio brasileiro.
Crescimento em Europa e Ásia
Além da China, as exportações para países da União Europeia cresceram 6,7% no acumulado do ano. O Brasil também tem expandido vendas para mercados emergentes como Índia e Bangladesh, demonstrando capacidade de diversificação da pauta de exportações.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 32,6 bilhões até maio, com crescimento impressionante de 34,2%. A corrente de comércio total atingiu US$ 264,5 bilhões, refletindo alta de 6,2%.
Análise de Especialistas
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, ressaltou que a queda na venda para os EUA foi o maior declínio entre os principais destinos. O redirecionamento de fluxos de petróleo bruto contribui para esse movimento, mas também reflete ajustes nas relações comerciais bilaterais diante de um ambiente tarifário incerto.
Segundo especialistas, o Brasil tem compensado a perda de participação no mercado americano com ganhos expressivos em Ásia, Europa e mercados emergentes. Esse processo demonstra capacidade de adaptação, embora seja gradual e dependa de continuidade nas estratégias de diversificação comercial.