A corrente de comércio do Rio de Janeiro atingiu US$ 80,2 bilhões em 2025 e cresceu 9% mesmo com o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos no ano anterior. Os números estão no boletim Rio Exporta, da Firjan, que aponta também um saldo comercial de US$ 15,9 bilhões no ano, com exportações de US$ 48,1 bilhões e importações de US$ 32,2 bilhões — recordes da série histórica para as duas operações.
No radar da federação, o cenário externo segue instável. A leitura da Firjan é que, após a suspensão do tarifaço pela Suprema Corte norte-americana, o foco passa a ser o calendário de retirada das tarifas de 40% e 10% sobre produtos brasileiros e a troca pela nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente Donald Trump, além de possíveis investigações citadas pelo governo.
O desempenho fluminense foi puxado, principalmente, por petróleo e gás. Em 2025, o setor somou US$ 37,9 bilhões em embarques, respondeu por 79% das vendas internacionais do estado e cresceu 4% no período. A China permaneceu como principal destino, com US$ 17,0 bilhões, concentrando 45% das vendas de óleo de petróleo. O boletim registra, ao mesmo tempo, quedas nos embarques destinados a dois dos três principais mercados, EUA e Espanha, e aponta que novos mercados ajudaram a sustentar o resultado do ano.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, avalia que o número resume um ano de adaptação. “O recorde da corrente de comércio representa um marco da resiliência e capacidade de adaptação dos empresários fluminenses em um ano com grandes desafios em mercados estratégicos como os EUA, por exemplo. Isso reforça a importância da atuação internacional das empresas e como uma alternativa nestes momentos de instabilidade”, disse Luiz Césio Caetano.
Fora o petróleo bruto, as exportações de outros produtos chegaram a US$ 10,2 bilhões em 2025, com crescimento de 9% no acumulado anual. Os EUA seguiram como principal parceiro dessas vendas, com US$ 3,3 bilhões, sem avanço expressivo frente a 2024. No recorte por áreas econômicas, o boletim aponta altas nas exportações para Mercosul, União Europeia, Aladi e USMCA. A exceção foi a Ásia, com US$ 2,5 bilhões e retração de 4%, influenciada, entre outros fatores, pela queda de 27% nas exportações para Singapura (US$ 1,2 bilhão), principalmente de óleos combustíveis.
O documento também destaca movimentos de alta em segmentos específicos. As exportações de Máquinas e equipamentos cresceram 53% e chegaram a US$ 1,3 bilhão, com aumento de 106% nas vendas de torneiras, válvulas e dispositivos semelhantes (US$ 456 milhões). Já as exportações de automóveis de passageiros subiram 80% e somaram US$ 532 milhões, com destaque para o mercado argentino.
Para o presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da federação, Rodrigo Santiago, 2025 deixou um retrato mais espalhado dos parceiros comerciais. “Pelos resultados apresentados em 2025, conseguimos perceber uma diversificação dos parceiros comerciais das indústrias fluminenses. Parceiros tradicionais como China e EUA permanecem de primeira importância, mas podemos observar a retomada do crescimento de vendas para mercados tradicionais como Argentina e México e novos mercados como Países Baixos”, afirmou Rodrigo Santiago.
Do lado das importações, o estado fechou 2025 com US$ 32,2 bilhões, alta de 15% sobre 2024. Bens intermediários e matérias-primas somaram US$ 19,2 bilhões e responderam por 60% do total importado no período. Excluindo petróleo, as importações chegaram a US$ 29,8 bilhões, crescimento de 18%. Os EUA permaneceram como principal origem, com US$ 9,6 bilhões, com destaque para compras de motores e turbinas para aviação e suas partes (US$ 5,6 bilhões). A União Europeia também cresceu: US$ 7,0 bilhões, alta de 23%, puxada, entre outros pontos, pelo avanço de 68% nas importações da França (US$ 3,2 bilhões), sobretudo de rolamentos e engrenagens.