Cariocas e visitantes das praias do Rio de Janeiro enfrentam, há mais de um ano, a falta de informações atualizadas sobre a qualidade da areia, o que gera preocupações quanto a possíveis riscos à saúde. Desde novembro de 2024, a Prefeitura não publica os resultados das análises bacteriológicas, deixando banhistas, atletas, trabalhadores da orla e moradores em estado de apreensão.
O monitoramento é parte do programa Areia Carioca e é realizado pela concessionária Águas do Rio em colaboração com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima. Embora as coletas e análises estejam sendo realizadas, conforme os órgãos responsáveis, os boletins quinzenais que trazem essas informações deixaram de ser divulgados, interrompendo o acesso público aos dados.
Iniciado em 2010, o programa avalia a presença de bactérias e fungos na areia das praias, classificando-as em categorias como não recomendadas, regulares, boas ou ótimas. Após um hiato durante a pandemia de COVID-19 entre 2020 e 2022, as atividades foram retomadas com análises em 24 locais da cidade, abrangendo praias da Zona Sul, Piscinão de Ramos, Ilha do Governador e Paquetá.
A falta de dados tem gerado insegurança entre os frequentadores. “Não temos ideia do que pode acontecer. Existe o risco de contrair uma doença sem perceber”, comentou Guilherme Alcântara, goleiro de beach soccer. Outros usuários da praia expressam preocupações semelhantes sobre problemas como micoses e infecções associadas à areia contaminada.
A situação também preocupa aqueles que trabalham nas praias diariamente. “Precisamos ter certeza de que está tudo bem por aqui, pois estamos expostos o ano inteiro. Se a qualidade não for adequada, precisamos tomar precauções”, disse Paulo Henrique Souza, barraqueiro da região.
Especialistas destacam a relevância da transparência nessa questão. A gestora ambiental Carla Lubanco enfatiza que monitorar a areia é tão crucial quanto monitorar a água. Ela observa que a ausência de informações impede que a população avalie se está em ambientes saudáveis.
“Sem divulgação dos dados, ocorre um apagão informativo que também afeta as ações necessárias para corrigir eventuais contaminações”, alertou Lubanco.
Horacio Magalhães, presidente da Associação de Moradores de Copacabana, também exige uma posição clara sobre o tema e reforça que o acesso à informação é essencial para garantir a segurança tanto dos moradores quanto dos turistas. “É fundamental que as pessoas saibam se estão expostas a bactérias e fungos prejudiciais à saúde”, ressaltou ele.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima afirmou em nota que o programa está passando por uma revisão técnica nos parâmetros e metodologias adotados; por isso, a divulgação dos boletins está temporariamente suspensa. Contudo, não foi apresentado um prazo para quando essa publicação será retomada.
A Águas do Rio declarou que o monitoramento continua normalmente e os resultados estão sendo encaminhados à Prefeitura.
Enquanto isso, frequentadores das praias continuam sem respostas concretas e sem garantias sobre a qualidade da areia em um dos principais cartões-postais do Rio.