A Portela já traçou seu percurso para o carnaval de 2027 na Marquês de Sapucaí. A famosa escola de samba, conhecida por suas cores azul e branco e localizada em Oswaldo Cruz, prestará uma homenagem ao icônico compositor Monarco, falecido em 2021. O desfile será repleto de lembranças, identidade cultural e respeito às raízes do samba.
Intitulado “Ao mestre, com carinho”, o enredo foi selecionado pelo carnavalesco Paulo Barros, que retorna à agremiação onde conquistou a vitória no campeonato de 2017.
Monarco, cujo nome verdadeiro é Hildemar Diniz, construiu uma carreira intimamente ligada à história da Portela. Nascido filho de um marceneiro e poeta, sua infância foi repleta de desafios em Nova Iguaçu, onde chegou a vender mangas em feiras para ajudar sua família. Na juventude, ele se mudou para o subúrbio carioca, primeiro para Cavalcanti e depois para Oswaldo Cruz, um verdadeiro berço do samba. Foi lá que começou a participar de rodas de samba e a conhecer importantes figuras do meio, como Paulo da Portela, que se tornou seu mentor.
Na década de 1950, Monarco integrou a Ala de Compositores da Portela através da influência de Alcides Malandro Histórico, iniciando uma colaboração que moldou seu estilo musical. Ao longo dos anos, ele desempenhou diversas funções dentro da escola, atuando como cavaquinista, percussionista e diretor de harmonia, sempre mantendo uma conexão forte com a essência portelense.
Após uma passagem breve pela Unidos de Jacarezinho nos anos 1960, Monarco voltou à Portela em 1969 e nunca mais se afastou. No ano seguinte, fez parte do histórico álbum “Portela passado de glória”, produzido por Paulinho da Viola, o que solidificou sua posição entre os grandes nomes do samba.
Compositor de sambas que atravessaram gerações, como “Passado de glória”, Monarco era presença constante nas vésperas dos desfiles. Ele também é responsável por clássicos como “Vai vadiar” e “Coração em desalinho”, imortalizados pela voz do cantor Zeca Pagodinho. Durante sua carreira, lançou 16 álbuns entre 1970 e 2018, reafirmando seu papel como um dos grandes guardiões da tradição do samba.
Mais do que apenas uma vasta obra musical, Monarco deixou um importante legado familiar no mundo do samba. Pai de Mauro Diniz — criador do Trem do Samba — e Marcos Diniz — parte do Trio Calafrio — ele viu sua história ser continuada por novas gerações, incluindo sua neta Juliana Diniz, que também se lançou na carreira artística.