Na manhã desta terça-feira (5), a Polícia Federal realizou a apreensão de um Porsche preto, que, segundo informações da corporação, teria sido comprado recentemente pelo deputado estadual Thiago Rangel, do partido Avante. O parlamentar foi detido no Rio de Janeiro durante uma nova fase da Operação Unha e Carne.
A defesa de Rangel declarou que desconhece tanto a origem do veículo quanto sua apreensão.
A investigação sugere que o deputado estaria envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. O avanço das apurações ocorreu após uma análise forense em um computador vinculado ao gabinete do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, do partido União.
Organização criminosa em contratos públicos
Conforme a Polícia Federal, o grupo atuava na manipulação fraudulenta de processos de aquisição de bens e serviços na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, reduto político do deputado Thiago Rangel. “A investigação revelou a existência de uma organização criminosa liderada pelo deputado, cujo foco era fraudar procedimentos licitatórios”, destacou a polícia.
Os investigadores também encontraram evidências de desvio de verbas destinadas a favorecer uma organização criminosa inserida em órgãos municipais. De acordo com as investigações, os recursos teriam sido lavados em postos de combustíveis sob controle do deputado.
A Polícia Federal acrescentou que foram identificados indícios do uso de “laranjas” e “testas de ferro” para disfarçar a procedência dos valores envolvidos.
Desvios da Empresa Pública de Habitação
As apurações indicam que entre 2021 e 2022 houve desvio financeiro da Empresa Pública de Habitação do Município de Campos dos Goytacazes por parte do grupo investigado.
A PF relatou ainda ter encontrado registros de conversas entre os suspeitos que sugerem ameaças violentas direcionadas a adversários políticos. Esse aspecto foi considerado para sublinhar a gravidade das ações do grupo sob investigação.
Com base nas descobertas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão preventiva de sete indivíduos. Além disso, foram decretadas buscas na residência do deputado e seu afastamento temporário das funções públicas enquanto perdurar a investigação.
Defesa refuta acusações
A defesa de Thiago Rangel expressou surpresa com os desdobramentos da operação e afirmou que está se inteirando sobre os fatos e as decisões judiciais tomadas.
“O deputado nega qualquer prática ilegal e se compromete a fornecer todos os esclarecimentos necessários no âmbito da investigação, que é o local apropriado para apuração dos fatos”, informou sua defesa.
Os advogados ressaltaram ainda que seria prematuro chegar a conclusões antes da análise completa dos elementos que embasaram as medidas judiciais.
A Assembleia Legislativa (Alerj) manifestou sua disposição em colaborar com as instituições competentes para esclarecer os acontecimentos e reafirmou seu compromisso com a transparência e confiança nos órgãos responsáveis pela investigação.
A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) anunciou que está conduzindo uma revisão administrativa dos processos relacionados às obras de manutenção nas unidades da rede estadual. Segundo informações da pasta, um limite foi estabelecido em R$ 130 mil para intervenções consideradas pequenas manutenções; obras acima desse valor serão tratadas como projetos maiores e deverão ser realizadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).
A Seeduc também afirmou estar colaborando com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e outros órgãos fiscalizadores.