O Governo do Estado do Rio de Janeiro comunicou que busca um entendimento com Arthur Conceição, o jovem ferido no olho por uma bala de borracha após o clássico entre Flamengo e Vasco, realizado no Maracanã. A intenção é fornecer suporte médico e psicológico sem a necessidade de um processo judicial.
Na terça-feira (5), as autoridades estaduais revelaram que desejam formalizar um acordo com Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, que foi atingido durante um confronto entre torcedores no entorno do estádio. A confusão aconteceu após o jogo do Campeonato Brasileiro, no último domingo (3), na Zona Norte do Rio.
A proposta do governo tem como objetivo evitar a judicialização do caso e assegurar assistência médica e psicológica ao jovem, que enfrenta o risco de perder a visão. O Poder Executivo informou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) entrará em contato com a Defensoria Pública para discutir essa possibilidade.
Após os incidentes que envolveram torcedores, a Polícia Montada e o Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (Bepe) iniciaram investigações internas para analisar a conduta dos policiais envolvidos e esclarecer as circunstâncias que levaram ao ocorrido.
Mãe descreve a violência nas proximidades do estádio
Christine Cortines, mãe de Arthur, relatou que seu filho estava acompanhado de amigos no jogo quando se viu cercado pela ação policial nas imediações do Maracanã. “Ele foi ao jogo para se divertir e, no final da partida, tudo virou uma grande confusão. A situação saiu totalmente do controle e, conforme relatos, a reação da polícia foi extremamente violenta, utilizando cavalaria, bombas, spray de pimenta e balas de borracha contra os torcedores”, disse Christine.
A mãe acrescentou que Arthur foi atingido enquanto tentava se proteger durante o tumulto. “Os jovens estavam apenas tentando se afastar da confusão quando meu filho foi ferido no olho. Eles só queriam assistir a uma partida de futebol”, completou Christine Cortines.
Arthur afirma não ter participado da confusão
<pArthur Conceição compartilhou sua experiência relatando que, ainda dentro do estádio, os policiais utilizaram gás de pimenta indiscriminadamente. Ao deixar o Maracanã, ele encontrou um cenário caótico com agentes agindo de forma agressiva. “Tentei me abrigar próximo ao setor sul e mesmo não estando envolvido em nenhuma confusão, fui atingido no rosto por uma bala de borracha disparada por um policial montado”, afirmou Arthur.
Após ser ferido, ele buscou ajuda mas não recebeu socorro imediato dos policiais. “Consegui atendimento inicial com o auxílio de outro torcedor em uma ambulância; entretanto, tive que ir sozinho para o hospital de táxi. Agora estou sob risco de perder a visão do olho direito. Espero que algo assim não aconteça mais com ninguém”, lamentou Arthur Conceição.