A fase de confronto na pré-campanha ao governo do Estado do Rio de Janeiro está intensa. Com a proximidade de deixar a prefeitura para concorrer ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes está adotando um tom mais agressivo contra Cláudio Castro, enfatizando a questão da segurança pública com um discurso cada vez mais conservador.
Nas últimas horas, o prefeito criticou ações do governo estadual e defendeu a permanência das forças de segurança em áreas dominadas pelo crime até que o controle seja restabelecido. Em uma de suas declarações, ao mencionar a presença de criminosos no Complexo do Alemão mesmo após uma operação policial, Paes sugeriu que, se fosse preciso, mais medidas deveriam ser tomadas para restaurar a ordem. Essas declarações intensificaram o debate político e deram mais peso à questão da segurança no Rio.
No dia seguinte, Paes voltou a criticar o governo ao comentar a operação do Bope no Morro dos Prazeres, que resultou em oito mortes, incluindo o traficante Claudio Augusto dos Santos e um morador local. O prefeito questionou a estratégia de segurança de Cláudio Castro e levantou dúvidas sobre a decisão de fechar a base policial na região, uma mudança que faz parte da reestruturação das UPPs anunciada pelo governo do estado em 2024.
O embate gira em torno da estratégia de Paes em usar a segurança como principal ponto de crítica contra Castro. Ele argumenta que falta planejamento e políticas públicas por parte do estado, enquanto adota um discurso mais agressivo em relação ao combate ao crime, buscando atrair um eleitorado que valoriza a autoridade e a ordem. Essa movimentação ocorre em meio à preparação para a eleição de 4 de outubro e a sua transição da prefeitura para a disputa eleitoral.
Essa escalada de conflitos ocorre após uma série de confrontos entre os dois grupos políticos nas últimas semanas, incluindo a prisão de um aliado de Paes em uma operação da Polícia Civil. O PSD fluminense acusou Cláudio Castro e o secretário de uso político da polícia, levando o caso ao STJ e à PGR.
O governo estadual afirmou que a investigação foi conduzida de forma técnica e independente, com a participação de diferentes órgãos, e criticou a tentativa de politização do caso por parte do prefeito. Também contestou a narrativa de perseguição política.
Além das questões de segurança, Paes tem ampliado suas mensagens para o eleitorado cristão, buscando ocupar um espaço mais central e de direita. A combinação entre discurso duro sobre o crime, simbolismo religioso e críticas ao governo estadual indica uma estratégia de disputa de valores e autoridade em sua campanha.
Em resumo, Eduardo Paes busca não apenas se apresentar como uma alternativa a Cláudio Castro, mas também desgastar a imagem do adversário como um governo sem estratégia e sem controle territorial. E para isso, decidiu antecipar o início de sua campanha.
Fonte: O Globo