Home NotíciasAumento alarmante de acidentes com ciclistas no Rio eleva em 34% atendimentos na saúde pública em um ano

Aumento alarmante de acidentes com ciclistas no Rio eleva em 34% atendimentos na saúde pública em um ano

por Amanda Clark

Nos últimos meses, o aumento no número de atendimentos a ciclistas acidentados na rede pública de saúde do Rio de Janeiro gerou apreensão entre profissionais da área e usuários. O Painel de Acidente de Transporte Terrestre da prefeitura revelou que os atendimentos saltaram de 3.554 em 2024 para 4.761 em 2025, representando um crescimento alarmante de 34% em apenas um ano.

As projeções para 2026 indicam que essa tendência ascendente deve persistir. Com dados ainda parciais, já foram registrados 1.179 atendimentos, sugerindo que o aumento continuará. Esse avanço ocorre em um contexto no qual o uso da bicicleta como meio de transporte tem crescido, especialmente com a popularização dos modelos elétricos, enquanto os investimentos em infraestrutura, fiscalização e educação no trânsito não acompanham esse ritmo acelerado.

O panorama geral dos acidentes de trânsito também é preocupante. O total de atendimentos na rede municipal subiu de 32.303 em 2024 para 47.072 em 2025, resultando em uma impressionante alta de aproximadamente 45%. As estatísticas continuam sendo dominadas por ocorrências com motociclistas, que ultrapassaram 32 mil casos no último ano, representando quase 70% do total.

Embora os acidentes envolvendo ciclistas sejam menos numerosos, a rapidez com que esses casos aumentam tem atraído atenção significativa. A relevância do tema foi exacerbada após um trágico acidente na Tijuca que resultou na morte de uma mulher e seu filho, envolvendo uma bicicleta elétrica e um ônibus.

Especialistas afirmam que o crescimento das ocorrências está intimamente relacionado à falta de políticas públicas adequadas voltadas para a mobilidade ativa. Vivi Zampieri, gestora da Mobilidade Ativa da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio, destaca que a ausência de regulamentação e ações educativas agrava essa situação crítica.

“A ausência de segregação, fiscalização e educação só contribui para o aumento dos números — como estamos observando. Estamos há três anos aguardando a regulamentação e um programa educativo sobre trânsito, inclusive nos pontos onde esses veículos são vendidos, mas nada avança”, declarou em entrevista.

A especialista ressalta que as bicicletas devem ser consideradas uma parte essencial da mobilidade urbana. De acordo com ela, muitos usuários optam por esse meio para complementar outros modais ou utilizam-no como principal forma de locomoção pela cidade.

Apesar das diretrizes gerais já estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito em relação ao uso das bicicletas elétricas e equipamentos de micromobilidade, a regulamentação específica ainda não foi implementada no Rio. Sem normas claras, não há bases efetivas para fiscalizações nem para campanhas educativas eficazes.

A infraestrutura cicloviária é outro aspecto crítico que merece atenção. Além de ser inadequada, frequentemente apresenta desconexões que forçam ciclistas a compartilhar espaço com automóveis, ônibus e motos em vias movimentadas, elevando assim o risco de acidentes.

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