Home UncategorizedLaila Garin estreia em musical sobre carpideiras do sertão e celebra suas raízes nordestinas

Laila Garin estreia em musical sobre carpideiras do sertão e celebra suas raízes nordestinas

por amandaclark

Uma nova visão sobre as carpideiras do sertão

Laila Garin e Juliana Linhares protagonizam a estreia de “As centenárias”, um musical que traz à vida as histórias de Socorro e Zaninha, duas carpideiras do sertão cearense. A produção estreia nesta sexta-feira (10) no Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, oferecendo uma reinterpretação moderna de uma comédia clássica que circulou pelo país em 2007, originalmente com Marieta Severo e Andréa Beltrão no elenco.

O espetáculo é uma adaptação da peça de Newton Moreno, agora sob a direção de Luiz Carlos Vasconcelos, com direção artística que incorpora participação especial de Leandro Castilho. A grande inovação desta versão está na integração de canções originais compostas por Chico César, que transformam o texto clássico em uma experiência musical imersiva, mergulhando o público na riqueza da cultura nordestina.

Musicalidade nordestina como elemento central

A abordagem musical do espetáculo representa uma escolha criativa fundamental para a narrativa. Juliana Linhares, atriz potiguar que vive Zaninha, explica como a musicalidade funciona como veículo para explorar as tradições do Nordeste. “As carpideiras rezam cantando, então pegamos esse universo e fizemos uma viagem pela musicalidade nordestina”, afirma a atriz.

A trilha sonora passa por diversos estilos que refletem a diversidade cultural da região, transitando entre influências de rock nordestino similar ao trabalho de Zeca Baleiro, além de elementos tradicionais como o coco e a chegança. Esta mistura de gêneros cria um colorido autenticamente nordestino que enriquece a narrativa das personagens principais.

Celebrando identidade nordestina no palco

Para Laila Garin, natural de Salvador, este projeto representa uma oportunidade significativa de reafirmar suas raízes. A atriz, que ganhou projeção nacional após sua premiada interpretação de Elis Regina no teatro, reconhece que parte de seu público desconhece suas origens nordestinas. “Depois de ‘Gonzagão, a lenda’, fui criando um público que quase não sabe que sou nordestina”, comenta Laila, evidenciando como sua carreira a afastou de papéis que explicitassem sua identidade regional.

Esta nova produção serve como um resgate dessa identidade, permitindo que a atriz celebre e compartilhe sua herança cultural com uma audiência que a conhece principalmente por trabalhos posteriores. A decisão de trabalhar com outra atriz nordestina, Juliana Linhares, reforça o compromisso do projeto com a autenticidade regional.

Estrutura narrativa e desenvolvimento dramático

A trama se desenrola alternando entre passado e presente, acompanhando diferentes fases da vida das carpideiras. O espetáculo mostra desde o momento em que Zaninha se encanta pelo ofício ao observar o exemplo de Socorro, até os vários lutos que a dupla enfrenta ao longo de suas vidas. O jogo cênico entre as duas protagonistas forma o núcleo central da montagem, complementado pela atuação versátil de Leandro Castilho, que interpreta seis personagens diferentes.

Castilho realiza um trabalho notável que vai além da atuação, incorporando também responsabilidades de canto e música ao vivo. O ator brinca sobre o desafio técnico de seu papel: “São seis personagens e 14 trocas de roupa. Fico até tonto às vezes”. Suas interpretações incluem personagens secundárias e até uma representação alegórica da própria Morte.

Temas centrais: amizade e transcendência

A amizade entre as personagens emerge como um tema fundamental do espetáculo. O diretor Luiz Carlos Vasconcelos destaca a dinâmica relacional como aspecto crucial: “O fascínio que a mais jovem tem pela mais velha é um dos aspectos que tornam a relação tão bonita. E para que ela aconteça, tem que acontecer antes entre Ju e Laila. E acontece lindamente”.

Além da exploração da amizade, o elenco busca transmitir mensagens sobre como as relações humanas nos ajudam a superar as adversidades da vida. Laila Garin reflete sobre a própria natureza de seu trabalho como artista: “Faço arte um pouco para não morrer, para ficar imortal. O teatro é tão efêmero quanto a vida”. Esta reflexão conecta-se diretamente ao tema central das carpideiras, profissionais que lidam constantemente com rituais de despedida e a finitude humana.

Serviço prático

Local: Teatro Municipal Carlos Gomes, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro
Datas: Quinta e sexta-feira às 19h. Sábado e domingo às 17h. Temporada até 10 de maio. Estreia sexta-feira (10)
Ingressos: De R$ 50 (balcão) a R$ 80 (plateia)
Classificação: 12 anos

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