Home NotíciasSuper Mario Galaxy”: O Triunfo do Produto sobre a Arte Cinematográfica sem Apostas

Super Mario Galaxy”: O Triunfo do Produto sobre a Arte Cinematográfica sem Apostas

por Amanda Clark

A aclamada série The Studio, estrelada por Seth Rogen, apresenta a trajetória de um executivo em Hollywood enfrentando uma crise pessoal. Ele se vê dividido entre seu amor pelo cinema e a incessante pressão por resultados financeiros. Em um dos diálogos iniciais, uma colega de trabalho provoca: o que é mais valioso, dirigir um filme intrincado que ninguém assistirá ou criar um “Mario” que arrecade bilhões e resolva seus problemas financeiros?

Essa indagação vai além da comédia. Ela resume um dos grandes dilemas da indústria cinematográfica atual.

Por anos, Hollywood aprimorou uma abordagem focada na segurança. O resultado é um cinema cada vez mais avesso ao risco, tornando-se dependente de franquias reconhecidas, nostalgia e fórmulas já testadas. O lançamento de “Super Mario Galaxy” é reflexo direto desse fenômeno.

O longa-metragem não faz questão de disfarçar isso.

A narrativa traz Mario (Chris Pratt, conhecido por “Guardiões da Galáxia”) e Luigi (Charlie Day, de “It’s Always Sunny in Philadelphia”) em uma nova jornada para proteger o Reino Cogumelo. A inclusão de Yoshi (Donald Glover, de “Community”), que não apareceu no primeiro filme, serve como um aceno aos fãs. Não há desenvolvimento profundo; tudo é entregue diretamente ao público.

Além disso, o enredo apresenta dois personagens familiares aos seguidores da franquia. Bowser Jr. (Benny Safdie, de “The Curse”) sequestra a Princesa Rosalina (Brie Larson, de “O Quarto de Jack”) em uma tentativa impulsionada por um desejo herdado do pai. Embora essa motivação careça de profundidade, o filme não se preocupa em explorá-la. Essa não é sua proposta.

A partir desse ponto, a história se fragmenta.

Mario, Luigi e Bowser (Jack Black, conhecido por “Escola de Rock”) são transportados para um novo planeta enquanto Peach (Anya Taylor-Joy, de “O Menu”) e Toad (Keegan-Michael Key, de “Key & Peele”) cruzam a galáxia em busca da Princesa Rosalina. No percurso, aparece Fox McCloud (Glen Powell, de “The Running Man”), oriundo de outra franquia, sinalizando uma intenção clara de potencialmente formar um “Vingadores da Nintendo” no futuro com um projeto relacionado a “Super Smash Bros.”

Esse talvez seja o aspecto mais sincero do filme: “Super Mario Galaxy” não pretende ser apenas uma produção cinematográfica; seu objetivo é construir um verdadeiro ecossistema.

Dentro dessa perspectiva, o filme funciona bem. A animação está acima da média e as referências são frequentes, com um ritmo que raramente desacelera. Contudo, ao analisar os fundamentos disso tudo, surge o problema: o roteiro é superficial. Conflitos aparecem e desaparecem sem deixar consequências significativas. As separações e reencontros ocorrem conforme a conveniência do enredo. Até mesmo tentativas mais intrigantes como uma possível redenção para Bowser surgem apenas para serem rapidamente descartadas.

Nada ali carrega um peso real.

Apesar disso, é difícil imaginar que o filme fracasse. Na verdade, ele deve se sair bem nas bilheteiras.

Assim como ocorreu com a primeira produção da franquia, seu apelo universal assegura sucesso. As crianças se divertem com as cenas de ação rápidas enquanto os adultos se identificam através das memórias afetivas relacionadas à marca. O filme ocupa seu espaço com precisão: entretenimento leve e acessível que pode ser consumido instantaneamente. E é importante ressaltar que há mérito nessa proposta.

Com sua base em uma das franquias mais icônicas da cultura pop contemporânea, o filme entrega exatamente aquilo que promete – sem riscos ou aprofundamentos desnecessários. Em um cenário repleto de blockbusters meticulosamente planejados, essa eficácia tem seu valor.

Permanecem as questões levantadas em The Studio: até onde essa abordagem é suficiente?

“Super Mario Galaxy” oferece números expressivos mas falta-lhe ideias inovadoras. Seu propósito é performar – e ele certamente irá fazer isso muito bem. Filmes desse tipo são fundamentais para manter a indústria em movimento. A discussão sobre os custos criativos associados a esse modelo ficará para outra ocasião; quem sabe na data do “Dunesday”, que promete revelar tanto o melhor quanto o pior do cinema.

Nota: 3/5

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