Home NotíciasRicardo Couto promove nova série de demissões e totaliza 544 desligamentos no governo fluminense

Ricardo Couto promove nova série de demissões e totaliza 544 desligamentos no governo fluminense

por Amanda Clark

Na última sexta-feira, o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, anunciou mais uma fase de exonerações no alto escalão do governo estadual. Desta vez, a lista incluiu 93 servidores vinculados à Secretaria de Governo e à Casa Civil, prolongando uma série de mudanças que já estavam em andamento no Palácio Guanabara nas semanas anteriores. Com essas novas dispensas, o número total de exonerações nessas duas secretarias atingiu 544 funcionários comissionados.

Essa nova onda de cortes aprofunda um movimento que já vem provocando reações políticas em relação ao antigo governo. Antes deste último ato, 451 exonerações já tinham sido formalizadas como parte do processo de reestruturação da administração pública. O discurso oficial enfatiza a necessidade de revisar a estrutura governamental, otimizar gastos e aumentar a eficiência dos serviços. Um dos critérios utilizados para justificar os cortes revelou problemas operacionais, como falta de registro de acesso a sistemas internos e ausência de credenciamento institucional em várias situações analisadas.

Informações da TV Globo indicam que entre os dispensados estão servidores que tentaram se eleger vereadores em pequenas cidades do interior, mas não tiveram sucesso e foram designados para trabalhar em localidades distantes das suas residências. Isso reforça a percepção de que o ajuste promovido por Couto não se limita apenas à estrutura administrativa, mas também visa desmantelar redes políticas associadas ao uso da máquina pública.

O governo tem planos ainda mais extensos. O projeto de reestruturação das duas secretarias prevê uma redução de cerca de 40% nos cargos disponíveis na Casa Civil e na Secretaria de Governo. Atualmente, essas pastas somam aproximadamente 4 mil servidores, permitindo um corte potencial de até 1.600 postos de trabalho. A expectativa é que essa reestruturação gere uma economia mensal em torno de R$ 10 milhões. Além disso, as novas exonerações foram relacionadas a uma economia anual estimada em cerca de R$ 8 milhões.

Acompanhando esse processo, houve alterações na estrutura administrativa. A gestão interina ressuscitou a Subsecretaria-Geral da Casa Civil, que deverá ser liderada pelo procurador do estado Sérgio Pimentel, colaborador do novo secretário Flávio Willeman. Recentemente, também foram desativadas três subsecretarias da Casa Civil: a Subsecretaria Adjunta de Projetos Especiais, a Subsecretaria de Gastronomia e a Subsecretaria de Ações Comunitárias e Empreendedorismo, além das estruturas subordinadas a elas.

Além disso, Ricardo Couto ordenou auditorias abrangentes na administração estadual com o objetivo de revisar milhares de contratos ativos. O governo classificou essa ação como um “choque de transparência”. Essa movimentação sugere que o período interino sob Couto deixou de ser apenas um momento transitório e começou a impactar diretamente o legado administrativo e político da gestão anterior.

Esse aspecto tem gerado desconforto em Cláudio Castro. Nos bastidores, há relatos sobre como o ex-governador se sente incomodado com a maneira pela qual os ajustes estão sendo conduzidos. Aliados apontam que a narrativa atual parece indicar descontrole financeiro e desorganização herdada da gestão anterior—uma interpretação que Castro rejeita veementemente. Esse desconforto aumenta à medida que os cortes afetam cargos e estruturas associadas ao grupo que esteve no poder até março.

Em síntese, essa nova rodada de exonerações transmite duas mensagens simultâneas. A primeira diz respeito à administração: Ricardo Couto busca demonstrar domínio sobre o governo e vontade para reavaliar as estruturas estabelecidas anteriormente. A segunda mensagem é política: cada exoneração impacta um sistema que sustentou alianças por anos, acomodou derrotados eleitorais e fortaleceu parlamentares próximos ao grupo ligado a Cláudio Castro. Dessa forma, essa limpeza no governo não se resume apenas à contabilidade; ela começa a redesenhar o cenário político rumo às eleições de 2026.

Com informações do g1

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