Ainda é cedo para falar em transformação completa, mas já ficou claro que o Vasco tem outra postura desde a chegada de Renato Gaúcho. Em pouco tempo de trabalho, o treinador conseguiu devolver ao time algo que vinha desaparecendo: competitividade.
Os números ajudam a mostrar isso. Em três partidas sob o comando de Renato, o Vasco saiu atrás no placar nas três. Mesmo assim, não desmoronou. Conseguiu vencer Palmeiras e Fluminense e arrancou um empate fora de casa contra o Cruzeiro. Não é pouca coisa para um time que, há pouco tempo, parecia sentir demais qualquer golpe sofrido durante o jogo.
A diferença mais visível não está só no esquema tático. Está no comportamento. O time agora parece mais disposto a disputar o jogo até o fim, mais inteiro emocionalmente e menos entregue quando a partida fica adversa. É um traço que combina com o perfil de Renato Gaúcho, técnico que costuma mexer rápido no ambiente e trabalhar muito a confiança do elenco.
Isso não significa que os problemas desapareceram. A defesa ainda preocupa. Foram seis gols sofridos nesses três jogos, um número alto para quem quer subir de patamar no campeonato. O setor continua dando espaços e exigindo demais do time durante as partidas.
Mas, mesmo com as falhas atrás, o Vasco passou a oferecer uma resposta que antes não vinha. No período final do trabalho de Fernando Diniz, a equipe até criava situações em alguns jogos, mas tinha enorme dificuldade para reagir quando saía perdendo. Nos últimos 20 jogos de Brasileirão antes da troca de comando, o time perdeu oito das dez partidas em que levou o primeiro gol. E o dado mais duro talvez seja outro: nessas derrotas, sequer conseguiu marcar.
Naquele recorte, só houve uma virada, no 3 a 1 sobre o Bahia, e um empate em 1 a 1 com o Flamengo. Era um time que, quando sofria o golpe, quase sempre afundava junto com o placar.
Com Renato, pelo menos nesse início, o cenário mudou. O Vasco não apenas tenta reagir. Ele reage de fato. E isso tem peso num campeonato longo, em que a capacidade de seguir vivo dentro do jogo costuma separar equipes competitivas de elencos frágeis.
Depois do clássico, o treinador deixou claro que a mudança passa também pelo aspecto mental. “Mais junto”, resumiu Renato Gaúcho ao falar sobre o que buscou no intervalo da partida. A frase é simples, mas diz bastante. O novo Vasco ainda não é um time pronto, mas já parece mais coeso, mais convencido de que pode buscar resultado mesmo em cenário ruim.
O próximo teste será relevante. No domingo, em São Januário, Renato reencontra o Grêmio pela oitava rodada do Brasileirão, no último compromisso antes da parada para a data Fifa. Será mais uma chance de medir até onde essa mudança de postura é apenas impacto inicial de um novo comando ou o começo real de uma reconstrução mais consistente.
Com informações do Vasco Notícias