Nos últimos dias, os terrenos que um dia foram o lar do complexo de estúdios da Rede Manchete, localizado em Irajá, voltaram a ser foco de atenção após um longo período de descaso. Situado na Estrada da Água Grande, o local tem testemunhado a remoção de árvores em uma das suas parcelas, gerando inquietações entre os moradores da região. Fotografias enviadas à redação revelam a derrubada parcial da vegetação.
Um dos edifícios que compunham o complexo foi anteriormente utilizado pela rede de supermercados Intercontinental, que fechou as portas há alguns anos. Desde então, a área permanece sem uso definido.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou, após contato da reportagem, que enviou equipes para verificar a situação no local. A fiscalização constatou os cortes realizados, mas enfrentou dificuldades para avaliar a extensão das intervenções devido ao acesso restrito ao terreno. O proprietário recebeu uma notificação para apresentar a documentação necessária, sob risco de penalidades.
Conforme indicado no painel da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, acessível no site oficial da Prefeitura, um processo para a construção de um novo empreendimento habitacional está em análise desde 2023. O projeto envolve a criação de um conjunto residencial multifamiliar composto por 15 blocos com até 10 andares e é solicitado pela empresa Cristal Empreendimentos e Participações Ltda.
A Secretaria afirmou em comunicado que nenhuma licença foi concedida até o momento para esse projeto.
“Essa região representa uma das raras áreas verdes visíveis do alto em um bairro cada vez mais quente como o nosso. As árvores que existiam no terreno onde funcionava a antiga Rede Manchete proporcionavam sombra na Estrada da Água Grande e na Rua Extremadura nos fundos. Ao aguardar um ônibus ou caminhar pela calçada, era possível desfrutar do frescor proporcionado por essas árvores, tornando o ambiente mais agradável. Registrei vídeos do corte e considero isso uma tragédia para os moradores de Vista Alegre e Irajá”, declarou Pedro Nassif, defensor ambiental que acompanha atentamente o caso.
O complexo da Rede Manchete
Desde 1999, quando a emissora encerrou suas atividades, o complexo encontra-se parcialmente fechado. Durante cerca de 16 anos, foi um dos principais centros de produção de novelas no Brasil. Diferentemente da sede administrativa e jornalística localizada na Glória, esse espaço abrigava as instalações dedicadas à teledramaturgia. Até hoje, ainda são visíveis vestígios daquela época no terreno, como estruturas dos estúdios e cenários utilizados nas gravações anteriores.
Local onde funcionavam os antigos estúdios da TV Manchete está abandonado