Com o avanço das construções, como a elevação de muros e o uso intenso de concreto, árvores como oitis e quaresmeiras têm sido derrubadas em áreas como Grajaú, Gávea e Flamengo. Esses cortes despertaram discussões sobre a diminuição da vegetação no Rio de Janeiro. Contudo, a problemática vai além das questões de licenciamento municipal para novos empreendimentos; trata-se da necessidade vital de sombra para humanos e animais, que depende disso para se alimentarem e viverem com qualidade. Muitas das árvores remanescentes, algumas com mais de cem anos, encontram-se em estado de abandono.
As árvores são organismos vivos que necessitam de atenção e cuidados regulares. Elas enfrentam diversas adversidades impostas pela urbanização. No entanto, há quase 30 anos, a administração municipal não mantém um programa dedicado a preservar a saúde da vegetação urbana. Entre 1996 e 1998, foi criado o Projeto Socorro Verde pela Fundação Parques e Jardins, com foco na recuperação de árvores notáveis em espaços públicos. O projeto incluía ações como limpeza de galhos, aplicação de curativos e combate a pragas e doenças.
Além disso, o projeto previa iniciativas de educação ambiental por meio da instalação de placas informativas e produção de materiais gráficos. Financiado pelo Fundo de Conservação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do município, o plano original visava cuidar de 500 exemplares ao longo do primeiro ano.
Contudo, essa iniciativa foi interrompida e não se tem notícias recentes sobre cuidados direcionados às árvores na cidade. Outras metrópoles já entenderam que a arborização urbana exige não apenas o plantio inicial, mas uma manutenção contínua. Em São Paulo, por exemplo, há contratos permanentes para manejo arbóreo que englobam poda técnica e controle de pragas, sustentados por inventários georreferenciados que possibilitam avaliações periódicas das árvores em áreas movimentadas.
Curitiba também se destaca nesse aspecto. Com uma tradição forte em planejamento urbano, a cidade realiza monitoramentos fitossanitários preventivos das árvores. Desenvolveram manuais técnicos que orientam desde o plantio até o tratamento contra doenças, contribuindo para a redução das quedas e prolongamento da vida útil das espécies.
No exterior, cidades como Nova York possuem programas sofisticados como o MillionTreesNYC. Essa iniciativa não apenas aumentou a cobertura verde na cidade, mas também estabeleceu um sistema permanente para cuidados com as árvores que inclui inspeções regulares e envolvimento comunitário com transparência nas informações sobre a saúde da vegetação.
A partir desses exemplos fica claro que o cuidado com as árvores é uma prática viável e necessária — uma política pública básica que requer planejamento adequado e investimento técnico contínuo. Assim sendo, o descaso observado no Rio de Janeiro é uma decisão deliberada; uma escolha trágica.