A eleição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que elegeu Douglas Ruas (PL) como presidente, posteriormente anulada pela Justiça, foi marcada por pressão política intensa nos bastidores. Parlamentares relatam que líderes partidários da base governista fizeram uma ofensiva para garantir apoio ao candidato, incluindo ameaças de retaliação política e administrativa.
Essa pressão, segundo os relatos, envolveu perda de recursos de campanha, redução de tempo de televisão e até negação de legenda para reeleição. O objetivo era evitar dissidências em uma votação estratégica para o Palácio Guanabara.
Na reta final, a pressão aumentou, com líderes partidários acionando prefeitos aliados para garantir votos. A ameaça incluiu isolamento político e dificuldades para obter recursos estaduais para as cidades.
Alguns deputados defenderam votar em Douglas Ruas para manter investimentos estaduais em seus redutos eleitorais, revelando a pressão indireta que aconteceu nos bastidores. Há relatos de deputados que afirmam ter sido pressionados por prefeitos sob ameaça de cortes de recursos.
A situação gerou fissuras dentro dos partidos da base, com deputados pensando em deixar suas legendas em reação à pressão. Isso pode alterar o equilíbrio de forças na Alerj.
A presença de lideranças políticas no plenário durante a votação, como o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, chamou atenção, sendo interpretada como uma articulação para garantir apoio.
A anulação do resultado pela Justiça após a votação intensificou a crise, colocando em xeque os métodos utilizados para obter maioria e expondo práticas de coerção política que podem ter desdobramentos legais e eleitorais no futuro.