Home NotíciasApós 15 anos, arqueólogos continuam estudando milhões de artefatos do Cais do Valongo

Após 15 anos, arqueólogos continuam estudando milhões de artefatos do Cais do Valongo

por Amanda Clark

Após quinze anos da redescoberta do Cais do Valongo, na Região Portuária do Rio de Janeiro, as escavações arqueológicas no local ainda estão em andamento. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o sítio histórico revelou uma grande quantidade de objetos, totalizando cerca de 1,5 milhão de peças, muitas delas ainda em processo de análise.

Grande parte desses artefatos está sob a responsabilidade do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, no Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), localizado no Armazém Docas André Rebouças, em frente ao cais. A criação desse centro de interpretação foi uma das exigências da UNESCO ao conceder o título de Patrimônio Mundial.

Os objetos encontrados nas escavações oferecem informações valiosas sobre a vida cotidiana na cidade entre os séculos XVIII e XIX. Dentre as peças catalogadas, há desde utensílios domésticos, como âncoras e canhões de navios, até objetos menores, como sapatos, garrafas, brinquedos e até mesmo ossos de animais.

Em torno de 500 mil peças têm relação direta com o cais antigo, incluindo elementos ligados à religiosidade africana, como búzios, contas e amuletos, que revelam aspectos culturais das pessoas trazidas como escravas para o Brasil.

O acervo está armazenado em 12 contêineres refrigerados, protegidos contra variações de temperatura e umidade. Apesar da triagem inicial, que confirmou o valor arqueológico das peças, acredita-se que ainda 60% do material precisa de estudos mais aprofundados.

Alguns objetos já levaram a descobertas interessantes, como uma garrafa inglesa de graxa que remonta a anúncios de jornais do século XIX. Outra peça curiosa foi uma caixa com referências à Escócia, cuja origem foi esclarecida após comparação com acervos internacionais.

Sapatos masculinos e femininos bem preservados também estão sendo estudados, após serem encontrados em uma área que costumava ser um ponto de descarte de resíduos há dois séculos.

O laboratório atualmente conta com uma equipe de seis profissionais, entre arqueólogos e auxiliares, que incentivam a participação de especialistas de outras instituições para avançar nas pesquisas. O acesso ao acervo para estudos específicos pode ser solicitado por pesquisadores interessados.

Além do aspecto científico, parte do trabalho dos arqueólogos pode ser acompanhado pelo público que visita o armazém, através de janelas de vidro instaladas no espaço de pesquisa.

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