A decisão de Flávio Bolsonaro de apoiar o prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União Brasil), como um dos candidatos da direita ao Senado no Rio de Janeiro não foi bem recebida pela tropa bolsonarista no estado. Nos bastidores do PL, deputados estão demonstrando desconforto com essa escolha, pois acreditam que o apoio ao prefeito pode se tornar um problema eleitoral ao invés de um ativo político.
A formação da chapa foi anunciada recentemente por Flávio, que confirmou os nomes de Cláudio Castro e Marcio Canella como candidatos ao Senado. Essa composição faz parte de uma estratégia mais ampla entre o PL e o União Brasil, com a aprovação das direções partidárias e visando a formação de palanques para as eleições nacionais de 2026.
O desconforto entre os parlamentares do PL é evidente, pois acreditam que Canella carrega um desgaste que pode prejudicar todos os envolvidos na campanha. Existe uma preocupação, conforme relatos internos já divulgados, com o apoio ao prefeito de Belford Roxo, chamado de “preocupação” por alguns deputados.
Esse mal-estar lembra o que já aconteceu com relação a Rodrigo Bacellar em 2025. Na época, Flávio Bolsonaro cogitou apoiar o então presidente da Alerj, mas enfrentou resistência dentro de seu próprio campo político. Recentemente, a Polícia Federal indiciou Bacellar e outros investigados no caso de vazamento de informações para o Comando Vermelho.
No caso de Canella, o desgaste político vem de episódios recentes, como a nomeação de ex-vereadores com histórico de envolvimento com milícias para secretarias municipais em janeiro de 2025, o que gerou questionamentos e resistência ao prefeito fora de Belford Roxo.
Outro fator que contribuiu para a pressão foi a crise envolvendo o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, ligado ao batalhão da cidade, que foi afastado pela Corregedoria da Polícia Militar por supostamente negociar com traficantes do Comando Vermelho sobre barricadas em Belford Roxo. O caso também está sendo investigado pelo Ministério Público.
Apesar desse cenário, a aliança continua firme. O problema para o bolsonarismo fluminense é que a escolha de Canella abriu uma divisão em um campo que buscava se manter unido. Em ano eleitoral, esse tipo de desconforto raramente permanece apenas nos bastidores.
Fonte: PlatôBr