Home NotíciasAldeia Maracanã será revitalizada para se tornar centro cultural dos Povos Indígenas

Aldeia Maracanã será revitalizada para se tornar centro cultural dos Povos Indígenas

por Amanda Clark

Um protocolo de intenções foi assinado entre a União e o Governo do Estado do Rio de Janeiro, visando encontrar uma solução consensual para a ocupação da Aldeia Maracanã, que se arrasta desde 2006. O acordo estabelece a colaboração entre entidades federais e estaduais com o intuito de decidir sobre o futuro do edifício histórico que abrigou o antigo Museu do Índio. Uma das principais propostas em discussão é a transferência da propriedade para o Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

Com a formalização do protocolo, as partes envolvidas planejam solicitar à Justiça a interrupção de todos os processos judiciais ativos por um período de seis meses. Ao mesmo tempo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que é uma das proprietárias do terreno, e o governo fluminense terão um prazo de 90 dias para avaliar a viabilidade jurídica de modificar ou cancelar a promessa de compra e venda do imóvel, que anteriormente havia gerado planos para sua demolição.

Possibilidade de um centro cultural

O Ministério dos Povos Indígenas expressou interesse em transformar o espaço em um centro dedicado à valorização da cultura indígena e dos saberes tradicionais. Para que essa proposta se torne realidade, a Conab, junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), está estudando alternativas para recomposição patrimonial, que podem incluir permutas por outros bens ou soluções financeiras.

A coordenação das negociações entre as instituições públicas e os indígenas que ocupam o local ficará sob a responsabilidade da Secretaria-Geral da Presidência, com apoio da Funai. Este acordo terá uma validade inicial de 12 meses e não envolverá transferências financeiras; cada entidade será responsável por seus próprios custos durante as negociações.

Histórico de conflitos

O casarão, cuja construção data de 1862 e é obra do Duque de Saxe, foi entregue no início do século XX ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI), sob a liderança do Marechal Rondon. O objetivo original era preservar a cultura indígena no local. Entre 1953 e 1977, o edifício serviu como Museu do Índio, recebendo até três mil visitantes diariamente e contando com um acervo de aproximadamente 16 mil livros.

Em 1977, o museu foi transferido para Botafogo sob a justificativa de que o prédio daria lugar à construção de uma estação de metrô que não chegou a ser realizada. Na década seguinte, o espaço sediou uma feira semanal da Cobal e projetos administrativos vinculados ao Ministério da Agricultura e à Prefeitura, mas nada prosperou, resultando no abandono total da edificação.

A disputa pelo imóvel intensificou-se durante os preparativos para eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, quando voltou-se a discutir sua demolição. Mais recentemente, em 2022, o tema voltou ao foco público após o deputado Rodrigo Amorim organizar uma “motociata” em protesto contra a ocupação indígena presente no local desde 2007.

No ano anterior, o imóvel foi listado entre propriedades que poderiam ser leiloadas pelo Estado. Contudo, essa decisão foi revertida e o prédio acabou sendo retirado da lista de bens destinados à alienação.

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