Home NotíciasAdministração municipal do Rio investiga possíveis irregularidades digitais na diminuição do IPTU

Administração municipal do Rio investiga possíveis irregularidades digitais na diminuição do IPTU

por Amanda Clark

A Secretaria municipal de Fazenda do Rio está investigando uma suspeita de fraude eletrônica no cadastro de contribuintes do IPTU há quase dois meses. A investigação tem o objetivo de esclarecer se senhas de fiscais foram clonadas através de um equipamento instalado em um terminal do plantão fiscal do imposto, no prédio anexo ao Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova.

Existe a suspeita de que o dispositivo foi utilizado para capturar dados de login e senha de servidores, permitindo assim alterações nas informações cadastrais de imóveis com o intuito de reduzir o valor cobrado no tributo. Segundo relatos de fontes ouvidas, mais de 200 matrículas teriam sido adulteradas quando o equipamento foi descoberto. No entanto, a prefeitura nega qualquer adulteração na base de dados.

Sete fiscais da Receita Municipal teriam suas senhas clonadas, de acordo com a apuração. O dispositivo encontrado seria do tipo conhecido como skimmer, usado para capturar credenciais e outros dados inseridos no computador.

Em 5 de fevereiro, o auditor-chefe da Receita Municipal, Ricardo de Azevedo Martins, iniciou uma sindicância para investigar o caso. O procedimento é sigiloso, como é comum na administração pública, e seu resumo foi publicado no Diário Oficial do Município.

A investigação visa identificar os responsáveis pela suposta fraude. Segundo fontes, pelo menos um servidor da prefeitura e um despachante estão entre os suspeitos.

As alterações cadastrais teriam ocorrido entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, antes do envio das notificações do IPTU 2026. A suspeita só surgiu quando o proprietário de um dos imóveis, ao perceber a redução do valor do imposto em relação ao ano anterior, procurou a prefeitura em busca de explicações.

Em comunicado, a Secretaria de Fazenda confirmou a existência da sindicância e a descoberta do dispositivo eletrônico, porém contestou a ideia de invasão ao sistema ou adulteração indevida dos dados dos contribuintes.

A secretaria afirmou que se tratou de um caso isolado, com rápida detecção e solução. Não houve evidências de acesso indevido ao sistema do IPTU ou vazamento de dados de contribuintes.

Apesar das suspeitas de redução de valores de alguns imóveis, a prefeitura não encontrou irregularidades até o momento. O caso será encaminhado para as autoridades competentes após a conclusão da sindicância interna.

Este não é o primeiro caso de investigação de manipulação no cadastro do IPTU na cidade do Rio. Episódios semelhantes ocorreram em 1995 e 2001, este último marcado por um atentado ao coordenador do IPTU na época.

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