A escola de samba Unidos de Vila Isabel já definiu o samba-enredo que será apresentado na Sapucaí em 2026. A parceria entre André Diniz e Evandro Bocão saiu vitoriosa na disputa interna e foi escolhida para mais um capítulo da história da agremiação. O anúncio foi feito durante uma festa na quadra da escola, na madrugada deste sábado (13/09), com a presença da rainha de bateria Sabrina Sato.
Considerados favoritos desde o início, Diniz e Bocão não precisaram sequer aguardar a apresentação dos concorrentes. Mesmo com obras de Moacyr Luz e PC Feital na disputa, a direção da escola optou por anunciar a dupla como campeã imediatamente, provocando a explosão de alegria na quadra. Essa foi a 20ª vitória de Diniz defendendo as cores da Vila Isabel.
O samba escolhido irá embalar o enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. O objetivo é homenagear Heitor dos Prazeres, importante figura da cultura popular brasileira, que foi sambista, pintor e fundamental para a memória do país. A escolha do enredo, feita meses atrás, aconteceu na Pedra do Sal, local histórico da negritude carioca e espaço onde Heitor foi pintado em um mural.
A Unidos de Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, em 17 de fevereiro de 2026. A expectativa é de um desfile que misture música, religiosidade afro-brasileira e as cores do pincel de Heitor.
A letra do samba-enredo de 2026:
Sonhei macumbembê, sonho samborembáMacumba é samba, e o samba é macumbaPode até fazer quizumbaSó não pode é separar
Sonho samborembá, macumbembêVem da mãe terra, firmou ponto na BahiaE na África pequena germinou pra florescerÉh quilombo, é a Pedra do SalArraigou em terreiro e quintalNo chão batido assentou o fundamentoFoi o lino de madrinhaDe padrinho, espelhamentoFlutuou na capoeira ao perfume de CiataNegro príncipe de ouro, o anjo de asas de prata
Um ogan alabê, macumbeiroÀ fumaça do cachimbo, preto velho soprouEncanto da gira, da roda de bambaPoesia da curimba, batuqueiro e cantador
Foi do lundu e do cateterêAlinhou de linho santo, cavaquinho na mãoApaixonado pierrot afro-reiA flecha certeira de Oxóssi na cançãoReluz nas escolas, em Noel e CartolaGanhou o mundo, com o mundo de Paulo BrasãoDe todos os tons, a Vila, negra é!De todos os sons, a negra Vila é!De china e ferreiraMocambo macacos e o pau da bandeiraDa nossa favela, branca a azul do céuNo branco da tela o azul do pincelVem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel
Oraieiê Oxum, kabecilê XangôMeus sonhos e tambores, tintas e PrazeresPra você, Heitor