Home NotíciasRoberto Anderson: Reflexões ágeis sobre a capital sergipana

Roberto Anderson: Reflexões ágeis sobre a capital sergipana

por Amanda Clark

Aracaju, situada entre um rio e o mar, se destaca por seu charme. O crescimento da cidade foi impulsionado pela drenagem de áreas alagadas e pelo aterro de manguezais. Apesar dessas intervenções, o manguezal ainda marca presença significativa na área urbana. Atualmente, uma grande obra viária avança, resultado do aterramento de porções do último remanescente desse ecossistema, às margens do Rio Sergipe. Considerando que esse ambiente é protegido pelo Código Florestal, surgem questionamentos sobre a legalidade dessa ação.

Semelhante a outras cidades nordestinas, Aracaju oferece qualidade de vida elevada. O sistema de transporte conta com terminais bem planejados e ônibus operando em faixas exclusivas — muitos deles elétricos. A cidade também se beneficia de uma extensa rede de ciclovias. As condições de vida dos habitantes têm apresentado melhorias significativas nos últimos anos, resultado de políticas públicas inclusivas implementadas pelo governo federal, apesar de interrupções ao longo da trajetória.

Aracaju substituiu São Cristóvão como capital da Província de Sergipe del Rey, que foi estabelecida em 1590 e é considerada a quarta mais antiga do Brasil. A antiga capital estava distante do mar, o que gerou a necessidade de um porto marítimo para a província. Assim, optou-se pela área onde Aracaju seria construída posteriormente. A fundação da nova cidade ocorreu em 1855 sob a orientação do engenheiro Sebastião José Basílio Pirro. O planejamento original apresenta uma malha regular com ruas largas dispostas perpendicularmente e paralelamente ao rio Sergipe; posteriormente, novos setores foram incorporados à cidade, mantendo uma organização regular mas sem seguir os padrões iniciais.

Belo Horizonte também possui uma trajetória semelhante ao substituir Ouro Preto como capital estadual. Fundada em 1897 e projetada por Aarão Reis, sua estrutura urbanística original era predominantemente ortogonal e regular; essa malha foi posteriormente ampliada por outra maior, disposta diagonalmente à primeira — um padrão que lembra a cidade argentina de La Plata.

Ambas as capitais foram criadas com algumas décadas de diferença e compartilham uma rica presença da arquitetura eclética típica da virada do século XX. Os edifícios públicos mais relevantes refletem esse estilo. Contudo, muitas construções comerciais no Centro de Aracaju estão ocultas sob letreiros enormes, lembrando a situação do antigo Centro do Rio antes da implementação do Corredor Cultural.

Belo Horizonte recebeu um número considerável de edificações Art Déco devido à sua época posterior. Em ambas as cidades, há praças românticas adornadas com jardins e coretos em torno dos palácios governamentais; no entanto, esses edifícios perderam sua função original e foram transformados em museus, enquanto as sedes administrativas foram deslocadas para construções modernas.

Em Aracaju, assim como em diversas cidades brasileiras, observam-se homenagens a figuras históricas e eventos controversos. Exemplos incluem o bairro Castelo Branco e um conjunto habitacional batizado com o nome Médici; além disso, há uma avenida chamada 31 de Março e uma área metropolitana conhecida como conjunto Fernando Collor. Por outro lado, tanto na cidade quanto nas proximidades é comum encontrar a planta conhecida como véu de noiva ou jasmim do Caribe; seus arbustos floridos embelezam jardins residenciais e calçadas.

A beira do Rio Sergipe, ao sul do Centro Histórico, ergueram-se edifícios destinados à classe média alta numa fase recente de descentralização urbana. Atualmente, Atalaia — um bairro litorâneo — tem emergido como um novo núcleo para essa faixa socioeconômica. Hotéis estão sendo construídos nessa região que se verticaliza rapidamente; enquanto isso, os antigos prédios das classes altas nas proximidades do Centro continuam existindo mas provavelmente perderão prestígio ao longo do tempo.

No bairro Atalaia, novas construções verticais estão rapidamente substituindo casas térreas. Essa transição é notável devido à disparidade entre as antigas residências e os modernos edifícios altos que estão sendo erguidos à beira-mar. Essa urbanização acelerada pode não ter sido planejada tão cuidadosamente quanto o centro histórico da cidade e traz à tona desafios como a falta de acessibilidade nas calçadas; frequentemente, as soleiras das casas apresentam variações significativas em relação ao nível da rua. Como resultado, mesmo em ruas planas existem degraus nas calçadas que dificultam a locomoção para idosos e pessoas com deficiência.

Acolhedora por natureza, Aracaju preserva uma escala humana que favorece um ritmo tranquilo de vida. As ruas são habitadas por um povo moreno que gosta de conversar; nos restaurantes locais é comum ouvir o som característico das pancadinhas quebrando as cascas dos caranguejos servidos aos clientes. A constante presença do jasmim do caribe pode ser interpretada como símbolo da hospitalidade típica dos sergipanos.

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