O mercado imobiliário do Rio de Janeiro encerrou o ano de 2025 em alta, com um aumento nas vendas, valorização do metro quadrado e uma forte demanda em segmentos como o Minha Casa, Minha Vida. Os dados foram divulgados em uma reunião da Ademi-RJ, já sob a nova gestão do presidente Leonardo Mesquita. As informações foram obtidas através do portal Tempo Real.
De acordo com uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica para a Ademi-RJ, o Valor Geral Líquido (VGL) atingiu a marca de R$ 16,5 bilhões em 2025, representando um crescimento de 27,8% em relação ao ano anterior. O total de unidades lançadas foi de 21.681, abaixo das 23.013 registradas em 2024.
No que diz respeito às vendas, o Valor Geral Vendido (VGV) alcançou R$ 14,2 bilhões, um aumento de 7,4% em comparação com os R$ 13,2 bilhões de 2024. No entanto, houve uma queda no número de unidades vendidas, com uma retração de 11,1% entre os dois anos.
O presidente da Ademi-RJ, Leonardo Mesquita, destacou também uma mudança nos preços. Ele mencionou uma correção nos valores no mercado do Rio de Janeiro, algo que não ocorria há muito tempo. Essa correção resultou em uma valorização de 14,5% nos últimos 12 meses, elevando o preço médio geral para R$ 12.927 por metro quadrado.
O segmento de habitação de interesse social teve um destaque no final de 2025. Entre outubro e dezembro daquele ano, os imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida representaram 39,6% das unidades vendidas, superando os empreendimentos de médio padrão que lideravam no mesmo período de 2024.
Ao longo do ano, as vendas de unidades enquadradas no programa federal chegaram a 8.059, com um crescimento de 2,9%. Por outro lado, os lançamentos diminuíram em 7,8%, totalizando 7.772 unidades. Leonardo Mesquita afirmou que isso demonstra uma boa demanda dos consumidores por imóveis do Minha Casa, Minha Vida.
O estoque disponível também foi um ponto de atenção para o setor. O estoque final, resultado da diferença entre lançamentos e vendas, chegou a 14.404 unidades no final de 2025, um aumento de 5,8% em relação a 2024. Apesar disso, o presidente da Ademi-RJ avaliou que o volume ainda é considerado baixo para a demanda existente.
Uma análise nacional feita pela Brain revelou que, em todo o país, os lançamentos cresceram 10,6% em 2025, alcançando 453.005 unidades. O Valor Geral Líquido atingiu R$ 292 bilhões, contra os R$ 265 bilhões de 2024. As vendas aumentaram em 5,4%, com um incremento de 3,5% no Valor Geral Vendido. O estoque final foi de 347.013 unidades, equivalente a aproximadamente dez meses de venda.
Segundo a consultoria, metade dos brasileiros pretende adquirir um imóvel nos próximos meses, sendo que 35% desejam concretizar a compra em menos de um ano. Apesar da taxa de juros elevada, o mercado imobiliário permanece aquecido, conforme afirmou Marcelo Gonçalves, sócio-consultor da Brain.
Em um evento anterior, o Panorama do Mercado Imobiliário, promovido pelo Secovi Rio, apresentou um cenário positivo para o setor, com foco no desempenho recente da cidade. Leonardo Schneider, vice-presidente de Locação e Comercialização Imobiliária do Secovi Rio, destacou a evolução dos preços nos últimos cinco anos, com um aumento de 16% nas vendas e 76% no aluguel nesse período.
No mesmo evento, Marcelo Gonçalves apresentou um estudo realizado para o Sinduscon-Rio, destacando o crescimento dos lançamentos em algumas regiões da cidade, como a Região Central, impulsionada por projetos como o Reviver Centro e o Porto Maravilha, além de outras como Barra da Tijuca, Barra Olímpica, Jacarepaguá e São Cristóvão.
Apesar dos desafios como os juros altos e a instabilidade externa, o setor imobiliário mantém uma perspectiva otimista para 2026. Leonardo Schneider acredita que, mesmo com um cenário incerto por conta das eleições e da possibilidade de aumento da inflação devido à guerra, o ano de 2026 promete ser muito positivo, com muitas pessoas buscando imóveis como forma de investimento e proteção em momentos de incerteza.