A decisão da prefeitura do Rio de Janeiro de eliminar o pagamento em dinheiro nos ônibus a partir do dia 30 tem gerado opiniões divergentes entre os cidadãos. Enquanto alguns veem a medida como um avanço necessário, outros criticam a imposição da nova regra e há ainda aqueles que apoiam a implementação, desde que ajustes sejam realizados. A administração municipal defende que essa mudança visa melhorar a fiscalização financeira, facilitar o embarque nas paradas, isentar os motoristas da responsabilidade de lidar com dinheiro e aumentar a segurança dentro dos veículos.
Para Carlos Antônio da Silva, um técnico em logística de 46 anos, morador da Rocinha, é essencial liberar os motoristas dessa função de receber pagamentos em espécie. “A tecnologia está aqui para ajudar. Em outras cidades já funciona assim. Sei que algumas pessoas podem ter dificuldades, mas precisamos acompanhar essa evolução. O BRT e o VLT já adotaram esse sistema, e os ônibus precisam se modernizar também”, afirma.
No entanto, a babá Sabrina de Souza, de 37 anos, residente em Guadalupe e que trabalha no Leme, expressou sua insatisfação com a rapidez da transição. Ela considera o prazo de adaptação de apenas 15 dias insuficiente para que os usuários se ajustem à novidade. “É muito curto para quem usa o transporte ocasionalmente, como turistas ou moradores de cidades vizinhas. As pessoas mais velhas e aquelas menos familiarizadas com tecnologia serão as mais afetadas”, critica.
Isabelly Lucas Alves, uma jovem aprendiz de 21 anos que vive no Vale do Ipê em Belford Roxo e trabalha no Humaitá, também acredita que o tempo para adaptação foi reduzido demais: “Soube dessa mudança hoje pela manhã através da minha mãe. Quinze dias é um período muito curto para se ajustar”, lamenta.
Por outro lado, Herick Enzo Andrade Alves, de 24 anos e morador do Complexo do Alemão na Zona Norte do Rio, apoia a nova política. Para ele, usar cartões ou aplicativos já faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. “Eu não uso mais dinheiro. É verdade que os mais velhos podem enfrentar dificuldades, mas há opções como o cartão de gratuidade”, comenta.
A passageira Marinalva Batista, de 50 anos e residente no Complexo da Maré, não estava ciente da mudança e expressou preocupação: “E se eu perder meu cartão? Isso pode ser muito prejudicial”, questionou.
O vendedor Alessandro Augusto Cardoso, de 45 anos e morador de Ramos na Zona Norte do Rio, vê prós e contras na nova norma. Ele acredita que o pagamento por cartão ou aplicativo pode acelerar o processo de embarque, mas teme falhas no sistema: “Já houve situações em que mesmo com saldo no cartão ele foi recusado na catraca. O sistema precisa funcionar bem para evitar problemas”, sugere.
Marcos Santana, um pedreiro de 44 anos que reside no Engenho da Rainha e trabalha na Tijuca, opina que os passageiros deveriam ter liberdade para escolher como pagar suas passagens: “Deveríamos ter todas as opções disponíveis. Uma vez precisei usar o BRT sem cartão e tive que depender da ajuda de outra passageira”, relata.
Por sua vez, Fabiano Braun, um morador do Batan em Realengo com 48 anos, considera essa mudança uma evolução inevitável: “Temos que aceitar e torcer para tudo funcionar bem”, conclui.
As informações foram complementadas por entrevistas realizadas pela equipe jornalística.