O plano de urbanização do PAC Periferia Viva para a Rocinha, apresentado pelo governo federal em parceria com a Prefeitura do Rio, gerou discordância por parte da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR). Com um orçamento de R$ 350 milhões, o projeto inclui a construção de um terminal intermodal de três mil metros quadrados, entre outras intervenções. No entanto, a associação de moradores argumenta que os recursos deveriam ser destinados exclusivamente a obras de saneamento básico.
A controvérsia aumentou após a publicação, no Diário Oficial do dia 23 de fevereiro, do decreto municipal 57.556, que desapropria um imóvel na Estrada da Gávea para viabilizar o novo equipamento de transporte. Em comunicado divulgado recentemente, a UPMMR criticou a iniciativa e enfatizou a importância da priorização da infraestrutura sanitária.
Para a associação, a construção de melhorias na mobilidade não deve ocorrer enquanto persistirem problemas estruturais de esgoto e drenagem na comunidade. A UPMMR ressalta que a prioridade deveria ser resolver essas questões antes de avançar em intervenções viárias e no transporte.
O diretor de projetos e relações institucionais da UPMMR, William de Oliveira, destacou que a divulgação das maquetes do terminal foi o que motivou a manifestação pública. Ele salientou que, durante uma reunião com o prefeito Eduardo Paes em janeiro, os moradores defenderam a priorização do saneamento. Desde então, não houve grandes melhorias nesse aspecto, apenas intervenções paliativas realizadas durante o primeiro PAC, de 2009 a 2011.
Além das questões de esgoto e água, a associação também pede a implementação de um sistema de drenagem eficaz para minimizar os impactos das chuvas intensas, que costumam causar alagamentos e invasões nas residências.
O PAC Periferia Viva abrange intervenções em uma área de 280 mil metros quadrados na Rocinha, incluindo a abertura de vias, obras de água, esgoto, drenagem e urbanização. A prefeitura afirmou que o cronograma do projeto será estabelecido em conjunto com líderes locais, e que as ações de saneamento serão priorizadas. No entanto, não foi especificado qual parte do orçamento será destinada exclusivamente para as redes sanitárias.
Em relação à desapropriação do imóvel destinado ao terminal, a prefeitura explicou que a medida está de acordo com o plano aprovado no âmbito do PAC, visando garantir a destinação pública da área e impedir qualquer uso privado que seja incompatível com o projeto. Anteriormente, o prédio abrigava uma filial da empresa de telefonia Oi.