A volta de Lucas Paquetá ao Flamengo já rendeu um título, mas ainda não entregou o impacto que boa parte da torcida esperava quando o clube decidiu fazer dele a contratação mais cara de sua história. Comprado por 42 milhões de euros, cerca de R$ 260 milhões, o meia retornou cercado por expectativa, status e pressão. Depois de dez partidas, o saldo ainda parece mais tímido do que definitivo.
O título carioca, conquistado no domingo, ajuda a aliviar o ambiente e dá algum respiro a um começo de temporada turbulento. Antes disso, o Flamengo havia perdido a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana, além de atravessar uma troca brusca de comando com a saída de Filipe Luís e a chegada de Leonardo Jardim. O troféu estadual, portanto, funciona também como tentativa de reorganização.
No meio desse cenário, Paquetá ainda busca seu lugar exato. Reportagem indicava que o jogador vivia a expectativa de se manter como titular com a chegada de Leonardo Jardim, depois de ter feito boa atuação contra o Madureira na semifinal. Ou seja, o momento do camisa 20 era menos de descarte e mais de adaptação em meio à mudança de treinador.
A avaliação sobre o desempenho inicial, porém, continua válida. Em dez jogos, Paquetá ainda não conseguiu se impor como diferencial técnico constante, algo inevitavelmente cobrado de quem voltou com tamanho investimento e com o histórico que carrega no clube e na Europa. O contraste entre expectativa e entrega ajuda a explicar por que o começo dele tem sido visto com alguma frustração.
Ao mesmo tempo, o título pode marcar uma virada simbólica. Depois da conquista, o próprio meia deixou claro o peso que o momento tinha para ele. “Era um sonho meu vencer com o Flamengo. Dois títulos ficaram para trás, mas esse nós conseguimos comemorar com a nossa torcida”, disse Paquetá. Em outra fala, ainda antes da decisão, já havia resumido o sentimento do retorno: “Eu voltei para isso!”
Há também um detalhe importante nessa história. Apesar de ter o título estadual de 2017 no currículo, Paquetá não havia sido relacionado para a final daquele ano contra o Fluminense. Por isso, o troféu conquistado agora tem valor ainda mais pessoal: foi o primeiro vencido em campo desde o retorno à Gávea.
O desafio, daqui para frente, é transformar esse alívio em desempenho. Leonardo Jardim começou o trabalho há poucos dias e ainda tenta implantar suas ideias em meio ao calendário apertado. Nesse contexto, Paquetá continua sendo um dos nomes mais observados do elenco, justamente porque reúne peso técnico, investimento alto e expectativa de protagonismo.
No fim, o recado deste começo de trajetória é simples: Lucas Paquetá já tem uma taça para chamar de sua na volta ao Flamengo, mas ainda está longe de justificar plenamente tudo o que cerca sua contratação. O título ajuda. A cobrança, claro, continua.
Veja o aproveitamento das contratações do Flamengo nas dez primeiras partidas:
1 – Michael: 100%2 – Léo Pereira: 100%3 – Thiago Maia: 93%4 – Gustavo Henrique: 93%5 – Pedro: 93%6 – Rodrigo Caio: 90%7 – Arturo Vidal: 87%8 – Everton Cebolinha: 87%9 – Marinho: 87%10 – Bruno Henrique: 83%43 – Lucas Paquetá: 56,6%