Home NotíciasNovo catálogo do Museu Nacional traz 213 fotos históricas digitalizadas nunca vistas antes

Novo catálogo do Museu Nacional traz 213 fotos históricas digitalizadas nunca vistas antes

por Amanda Clark

Seis anos após o incêndio que devastou 85% do seu acervo, o Museu Nacional/UFRJ anuncia uma iniciativa inédita que busca preservar parte de sua memória visual. Na próxima terça-feira, dia 30 de setembro, será lançado o catálogo “Vestígios Visuais: As Pranchas Fotográficas do Museu Nacional”, composto por 213 pranchas históricas que documentam a atuação científica e curatorial da instituição ao longo da primeira metade do século XX.

O material reúne imagens produzidas a partir de cópias em papel de negativos em vidro que foram destruídos pelo fogo em 2018. Por isso, cada fotografia representa hoje um registro único e insubstituível do trabalho da mais antiga instituição científica do país. A iniciativa integra o projeto “Contratação de Assistência Especializada para Acervo Iconográfico do Museu Nacional/UFRJ”, contemplado pelo 6º Fundo Ibermuseus para o Patrimônio Museológico.

Segundo os organizadores, o catálogo busca não apenas conservar a memória, mas também democratizar o acesso ao conhecimento, já que todo o material estará disponível em formato digital e de acesso aberto.

Reconstrução da memória

O lançamento faz parte das ações estruturantes que o Museu Nacional/UFRJ vem promovendo para recompor sua memória institucional desde a tragédia de 2018. Fundado em 1818 por Dom João VI, o museu acumulava cerca de 20 milhões de itens até o incêndio, que se transformou em uma das maiores perdas culturais da história do Brasil.

“Essas imagens nos conectam com a história das ciências naturais e humanas no Brasil, com as práticas museológicas de campo e com as redes intelectuais de um período em que o Museu expandia suas fronteiras científicas”, afirma Jorge Dias da Silva Junior, chefe da Seção de Memória e Arquivo (SEMEAR), um dos responsáveis pela organização do catálogo, ao lado de Ana Luiza Castro do Amaral, chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauração (LCCR). A diagramação e o projeto gráfico foram realizados por Anna Warzynski.

Registros de expedições e coleções

As pranchas fotográficas resgatadas abrangem diferentes áreas do conhecimento. Entre elas, estão registros de expedições da Comissão Rondon, missões etnográficas lideradas por Roquette Pinto, estudos de anatomia comparada, coleções de botânica e zoologia, instrumentos indígenas e até mapas históricos.

“O material preservado é uma fonte de valor inestimável para pesquisadores, considerando que as imagens possibilitam revisitar projetos científicos, analisar práticas de campo, reconstituir percursos institucionais e, sobretudo, propor novas leituras — inclusive críticas — sobre o papel da imagem na construção do conhecimento. Além disso, sua digitalização em alta resolução permite amplo acesso, uso acadêmico, ações educativas e desdobramentos em projetos interdisciplinares e colaborativos”, acrescenta Jorge.

Patrimônio compartilhado

O catálogo, que será disponibilizado integralmente online, tem como objetivo ampliar o alcance desse acervo para além da comunidade acadêmica, permitindo que professores, estudantes e o público em geral possam ter contato com os registros visuais. A iniciativa reforça o papel do Museu Nacional não apenas como guardião da memória científica, mas também como um espaço de difusão do conhecimento acessível a diferentes públicos.

Para os responsáveis pelo projeto, trata-se de um marco simbólico no processo de reconstrução da instituição, que segue em obras e com previsão de reabertura gradual a partir de 2026.

“O incêndio foi um divisor de águas para a história do Museu Nacional. Mas ações como essa demonstram que a instituição não deixou de produzir, preservar e compartilhar conhecimento. A reconstrução passa também pela memória, e esse catálogo é uma prova viva de que o Museu segue cumprindo sua missão”, destaca Ana Luiza Castro do Amaral.

Acesso aberto

O catálogo “Vestígios Visuais: As Pranchas Fotográficas do Museu Nacional” poderá ser consultado integralmente a partir do dia 30 de setembro, em formato digital, em plataforma de acesso aberto. Com isso, imagens que poderiam ter desaparecido para sempre voltam a ganhar visibilidade, oferecendo um testemunho da relevância histórica, cultural e científica do Museu Nacional.

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