Home NotíciasMinistério Público Federal pressiona por definição do destino do acervo da ditadura no antigo prédio do IML, na Lapa

Ministério Público Federal pressiona por definição do destino do acervo da ditadura no antigo prédio do IML, na Lapa

por Amanda Clark

O Ministério Público Federal (MPF) está solicitando à Justiça Federal a conclusão do processo referente à preservação do acervo do antigo prédio do Instituto Médico-Legal (IML), localizado na Lapa, região central do Rio de Janeiro. O órgão respondeu às contestações da União e do estado do Rio de Janeiro, enfatizando a importância de medidas urgentes para proteger documentos da Polícia Civil e registros relacionados a violações de direitos humanos durante a ditadura militar.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio Araujo, assinou a manifestação e destacou que a falta de definição entre a União e o estado mantém o imóvel em um estado de “limbo administrativo”. Mesmo sendo de propriedade da União, o prédio ainda está sob gestão estadual, sem que nenhuma das partes assuma a responsabilidade pela conservação do patrimônio documental de forma integral.

O MPF alerta que essa situação coloca em risco milhares de documentos, incluindo papéis que ocupam cerca de 2,9 mil metros lineares e aproximadamente 440 mil itens iconográficos, como fotografias e microfilmes produzidos entre as décadas de 1930 e 1960. Muitos desses registros são essenciais para investigações sobre desaparecimentos políticos e outras violações de direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura.

“A proteção desse acervo não é apenas uma questão administrativa ou patrimonial. São documentos fundamentais para a memória coletiva e para o cumprimento das obrigações internacionais do Brasil perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou Julio Araujo.

O MPF ressaltou que a disputa entre os entes federativos já resultou em inspeções técnicas no local, que identificaram problemas como infiltrações, janelas quebradas, sujeira, umidade e invasões, além do risco de deterioração do material.

Desde setembro de 2025, quando a ação civil pública foi iniciada, a Justiça determinou medidas urgentes, como a intensificação da vigilância e a remoção parcial do acervo, porém o processo ainda não foi finalizado.

O MPF está solicitando que a Justiça reconheça oficialmente a propriedade federal do prédio e que determine à União a conclusão do processo de reversão do imóvel, sob pena de multa. Além disso, pede a realização de uma nova audiência de conciliação entre União, estado e demais partes envolvidas, com o intuito de chegar a uma solução definitiva que garanta a preservação do acervo histórico.

Segundo o MPF, a ação vai além da simples reversão do imóvel, buscando garantir medidas efetivas de proteção e tratamento técnico dos documentos, assegurando que os registros históricos e de direitos humanos não se percam nem se deteriorem.

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