Home NotíciasMinistério Público Federal acusa CSN de manter montanha de lixo industrial de 30 metros em Volta Redonda por anos

Ministério Público Federal acusa CSN de manter montanha de lixo industrial de 30 metros em Volta Redonda por anos

por Amanda Clark

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Harsco Metals Ltda devido aos danos causados pelo depósito de escórias de aciaria, um resíduo industrial que forma uma verdadeira montanha em Volta Redonda, no Sul Fluminense. O caso é tema de reportagens desde 2019.

De acordo com a ação apresentada à 2ª Vara Federal do município, as empresas vêm promovendo, há mais de quatro décadas, o descarte irregular de resíduos siderúrgicos às margens do Rio Paraíba do Sul, com risco à saúde pública e impacto direto sobre áreas de preservação permanente.

Segundo o procurador da República Jairo da Silva, autor da denúncia, o caso representa “uma política corporativa consciente de descumprimento sistemático das normas ambientais”. Ele afirmou que a gravidade dos danos exige “resposta firme do Estado” e a aplicação efetiva do Direito Penal Ambiental.

Laudos técnicos apontam que o pátio de armazenamento de escória da CSN acumula mais de 5 milhões de toneladas de resíduos, formando pilhas de até 30 metros de altura. O depósito, sem impermeabilização, contaminou o lençol freático com metais pesados e fenóis — em alguns pontos, o pH da água subterrânea chegou a 13,04, nível letal para a fauna aquática.

Há anos, movimentos socioambientais, com destaque para o Baía Viva, pressionam por uma solução definitiva.

“O processo de privatização da CSN, concluído em 2009, não incluiu a responsabilidade pela destinação final de passivos ambientais graves, como as montanhas de escória. O movimento argumenta que a venda da empresa “não dá conta de resolver poluentes graves” que foram se acumulando ao longo de mais de 80 anos. Em agosto de 2023, o Baía Viva levou a questão diretamente ao MPF. Em uma reunião com a Procuradoria da República em Volta Redonda, o movimento apresentou estudos e alertou sobre os riscos da montanha de escória, que continua a crescer. O objetivo era pressionar por uma investigação e por medidas concretas. O caso culminou com a denúncia do MPF em 7 de outubro de 2025. A ação judicial detalha que a CSN despeja as escórias, classificadas como resíduos perigosos, de forma irregular há mais de 30 anos, contaminando o solo e os recursos hídricos da região. A empresa e dois de seus executivos são acusados de crime ambiental”, detalha o Movimento.

O que dizem as empresas

Em nota, a CSN disse que vai recorrer da denúncia apresentada pelo MPF. “A empresa considera a medida inesperada, uma vez que a própria Procuradoria da República vem conduzindo, há três anos, tratativas para celebração de um Termo de Acordo Judicial (TAJ), com a suspensão da ação civil pública para viabilizar esse entendimento”.

O comunicado diz, ainda, que a denúncia é “desprovida de fundamento técnico e jurídico”, e reafirma que estudos independentes comprovam a segurança, estabilidade e inexistência de contaminação ambiental no local”. A empresa também destaca que o único laudo presente no inquérito foi elaborado sem a participação de profissionais de engenharia, “tendo sido assinado por perita com formação em Medicina Veterinária”.

Já a Harsco Metals Ltda. informou que se surpreendeu com a denúncia. “Uma vez que o inquérito está em andamento desde 2018 e, há cerca de quatro anos, negocia em boa fé um acordo na ação civil pública sobre o mesmo tema”. A empresa ainda defende que o suposto dano ambiental não foi comprovado, “estando pendente de perícia”, e que encerrou as operações em Volta Redonda em agosto de 2024.

“Seguimos firmes na defesa de que a Harsco oferece soluções ambientais e contribui para a destinação adequada dos resíduos siderúrgicos, confiando na resolução justa do caso.”

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