Home NotíciasInvestigação revela que funcionária da Palácio Guanabara está envolvida em esquema de R$ 10 milhões contra galerista

Investigação revela que funcionária da Palácio Guanabara está envolvida em esquema de R$ 10 milhões contra galerista

por Amanda Clark

Michele Coelho Montenegro, investigada por suposto envolvimento em um esquema de estelionato e apropriação indébita ligado à venda irregular de obras de arte, está sob investigação em 17 inquéritos na Polícia Civil. O caso foi detalhado pelo delegado Marcos Buss, que lidera a Delegacia de Defraudações (DDEF). De acordo com as autoridades, Michele se apresentava como advogada, herdeira de uma grande fortuna e comerciante de arte e imóveis.

Considerada a principal figura do esquema, a falsa advogada criou uma imagem enganosa para conquistar a confiança de sua vítima. As investigações indicam que ela prometia negócios vantajosos para persuadir o homem a realizar pagamentos adiantados e transferências financeiras.

Conforme as apurações conduzidas pelo delegado Buss, o galerista entregou quatro obras de arte, avaliadas em R$ 10 milhões, a Michele para que ela cuidasse da venda. Em troca, a suspeita ofereceu quatro cheques ao galerista, que foram devolvidos devido à falta de fundos. Além disso, a DDEF revelou que Michele recebeu um adiantamento de R$ 2 milhões como sinal por uma negociação que supostamente realizaria com uma galeria em São Paulo.

“Ela se apresentava como advogada e herdeira rica, além de comerciante de arte e imóveis. Ao se aproximar da vítima, que é galerista, ofereceu-se para negociar quadros. Esse homem entregou a Michele quatro obras – dois quadros do artista Ivan Serpa e dois de Sérgio Camargo. Juntas, essas peças totalizavam R$ 10 milhões. Ela ainda solicitou um adiantamento de R$ 2 milhões e pediu R$ 120 mil como entrada pela venda de um apartamento que não lhe pertencia”, explicou o delegado.

Na operação realizada nesta quarta-feira, os policiais da DDEF cumpriram nove mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça em locais relacionados aos investigados em Ipanema, na Zona Sul do Rio; no Recreio dos Bandeirantes e na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste; além do município de Niterói, na Região Metropolitana.

Em uma das residências vistoriadas, os agentes encontraram um dos quadros pertencentes ao galerista, o qual havia sido entregue à suspeita há mais de um ano. A obra estava sob posse de um homem que foi detido em flagrante por receptação. Tanto ele quanto Michele optaram por não se manifestar fora do tribunal. De acordo com as investigações policiais, Michele enfrenta acusações por estelionato e apropriação indébita.

Michele estava registrada como assessora da Secretaria Estadual da Casa Civil com um salário líquido de R$ 12 mil sob o nome Mia Montenegro. Após tomar conhecimento das investigações, a secretaria exonerou Michele em uma edição extra do Diário Oficial publicada nesta quarta-feira.

Em comunicado oficial, o Governo do Estado confirmou a exoneração e afirmou que a falsa advogada “foi nomeada durante a gestão anterior do Poder Executivo Estadual, antes da implementação dos procedimentos de compliance para nomeações”.

A defesa de Mia Montenegro alegou que sua cliente é uma vítima na situação e busca acesso aos documentos do processo para esclarecer os fatos. O advogado Paulo Gomes Rangel Neto enviou uma nota afirmando: “Mia Montenegro foi mais uma vítima entre tantas nos acontecimentos investigados; isso será demonstrado sem dificuldade. Seus advogados estão empenhados em obter acesso aos autos para esclarecer tudo e garantir seu retorno à liberdade.”

Informações adicionais foram obtidas de O Globo.

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