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Hugo Costa: Ecos do Subúrbio

por Amanda Clark

Recentemente, observei mais uma reestruturação das subprefeituras na Zona Norte do Rio de Janeiro e a sensação que fica é de repetição. Desde a década de 1990, os subúrbios cariocas passaram por inúmeras reorganizações, sendo agrupados, desmembrados e unificados sob a justificativa de “aproximar a gestão” da população local. Contudo, na prática, as condições de vida dos residentes dessas áreas permaneceram praticamente inalteradas. Essa abordagem já foi utilizada por diversos prefeitos, incluindo aqueles que se posicionavam como opostos às administrações anteriores.

Bairros como Ramos e Penha continuam entre os que mais carecem de espaços públicos para lazer e áreas verdes. O Plano de Desenvolvimento Sustentável da cidade, inclusive, reconhece a desigualdade na distribuição desses espaços entre as diferentes regiões do Rio, uma questão destacada desde o Plano Diretor de 1991. Enquanto algumas partes da Zona Sul, Oeste e Sudoeste desfrutam de parques bem arborizados e infraestrutura urbana adequada, muitos locais na Zona Norte ainda enfrentam problemas como ilhas de calor e carência de opções para atividades ao ar livre.

A disparidade também é evidente nos indicadores relacionados à mobilidade urbana. Dados da prefeitura revelam que apenas cerca de 13% da malha cicloviária da cidade atende as grandes áreas suburbanas da Zona Norte, mesmo com a alta concentração populacional e a dependência de um transporte público deficiente na região.

No que diz respeito à saúde pública, o quadro é ainda mais alarmante. A área CAP 3.2, que inclui bairros da Leopoldina e arredores, apresenta os maiores índices de internações por doenças respiratórias em 2025, consequência de fatores como poluição do ar, tráfego intenso, baixa presença de árvores e condições urbanas precárias. Os dados sobre qualidade do ar fornecidos tanto pelo INEA quanto pelo Alerta Rio frequentemente destacam o impacto negativo causado por corredores viários como a Avenida Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha, que estão constantemente sobrecarregados por um trânsito intenso.

É frequente que defensores dessas mudanças administrativas mencionem melhorias em serviços operacionais como coleta de lixo ou poda de árvores. No entanto, é crucial destacar que isso não representa um avanço significativo; trata-se apenas do básico esperado de qualquer administração municipal. O verdadeiro desafio reside em abordar desigualdades históricas relacionadas à urbanização, saúde ambiental, mobilidade e acesso a espaços públicos adequados.

Assim sendo, surge a indagação: qual é o propósito de criar novas subprefeituras e modificar organogramas se os problemas estruturais persistem inalterados? A gestão territorial deveria abarcar não apenas o redesenho dos mapas administrativos, mas também proporcionar uma melhoria na qualidade urbana, ampliar áreas verdes e garantir mobilidade e saúde aos habitantes dos subúrbios cariocas.

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