A primeira janela de transferências de 2026 está chegando ao fim e o Flamengo optou por não realizar mais contratações. O clube encerrou o período com três reforços e, apesar de ter tido conversas e propostas em andamento nos bastidores, deixou para a janela do meio do ano a questão principal: a contratação de um centroavante.
A diretoria se movimentou, chegando a fazer uma proposta por Kaio Jorge e iniciar negociações por nomes como Taty Castellanos e Richarlison. No entanto, no final, nada se concretizou. Internamente, avaliou-se que o próprio perfil de jogador escolhido pelo clube acabou dificultando as negociações.
O departamento de scouting focou em jogadores mais experientes e consolidados, sem espaço para apostas. A justificativa foi simples: com um elenco já formado e com custo elevado, trazer alguém para “testar” poderia ser arriscado.
“É evidente que o scouting continua sendo importante, principalmente para jogadores mais jovens e da base, mas não é determinante na equipe principal. Não poderia ser, considerando o nível em que nos encontramos. Não é simples encontrar jogadores que atendam às exigências do elenco e possam agregar em um patamar elevado de investimento”, afirmou José Boto, diretor de futebol do Flamengo.
Na prática, a busca por um centroavante se tornou mais difícil. Isso evidenciou um problema que já vinha sendo observado: a descompensação no elenco, apesar da qualidade do grupo. A falta de consenso sobre quais jogadores valiam o investimento acabou gerando desconforto, especialmente por não atender ao pedido de Filipe Luís por um camisa 9.
Esse descontentamento reflete até mesmo no vestiário. Atualmente, Pedro é o único centroavante do elenco, mas não tem sido titular absoluto sob o comando de Filipe Luís. O jogador deseja mais oportunidades, enquanto o treinador busca um atacante com características diferentes que possa mudar a dinâmica da equipe em algumas partidas.
O aspecto financeiro também foi um entrave. O alto investimento em Lucas Paquetá, no valor de 42 milhões de euros — cerca de R$ 260 milhões — limitou a margem para buscar um centroavante de maior experiência no fim da janela. Com o orçamento apertado, o Flamengo acabou ficando em uma situação desfavorável: não trouxe o jogador desejado e ainda reduziu suas opções no elenco.
Além de não realizar contratações, o clube negociou Juninho, que chegou como aposta e não correspondeu às expectativas. Também quase perdeu outro jogador da posição: Wallace Yan foi vendido para o Red Bull Bragantino, mas o presidente Bap, insatisfeito com os termos da negociação, interveio e o atacante retornou ao Ninho do Urubu.
Dessa forma, a janela de transferências se encerra sem a contratação de um centroavante e com a sensação de um capítulo não finalizado. O Flamengo finaliza o período com três reforços: o goleiro Andrew, o zagueiro Vitão e o meia Lucas Paquetá. A novela em busca do camisa 9, ao que tudo indica, continuará com força na janela do meio do ano.