Eventos, agradecimentos, vendas de serviços ou produtos e muito mais. Cabe de tudo em uma faixa de ráfia. Os textos escritos à mão – que seguem um estilo artístico próprio – há décadas fazem parte da paisagem do Rio de Janeiro.
Segundo Thaisa Azevedo, professora de artes e pós graduanda em produção cultural, esse movimento teve início na virada entre as décadas de 1970 e 1980, junto com a arte urbana no Brasil. “Mas inicialmente não eram feitas em ráfia e sim em algodão, que era caro e mais pesado; a ráfia passa a ser opção pelo melhor custo-benefício, mais barato, leve e resistência a chuva”, explica.
A ráfia é um material muito utilizado na fabricação de sofás e cadeiras, por exemplo. Entretanto, por ser barata, acaba sobrando bastante durante a feitura de móveis. Assim, os artistas começaram a utilizar esse excedente para as faixas.
Um contexto histórico que foi importante para a popularização das faixas escritas à mão no Rio de Janeiro foram os bailes funk.
“Fiz muitas faixas para bailes. A gente faz de tudo, desde uma simples homenagem de aniversario até manifestações políticas”, conta MC Faixas, que trabalha nesse ramo há 32 anos. Ele começou quando tinha 18 de idade e morava em Nova Iguaçu. “Tive como professor o falecido seu Getúlio e um outro amigo importante de profissão, o Rogério das Faixas”, detalha.
Outro conhecido artista dessa área, Adriano de Jesus, o Adriart Faixas, reforça que com a Internet e facilidades para entregas ficou melhor para expandir o alcance dos trabalhos. Ele, que começou a pintar faixas em 1987 e teve como mestre Jorge Dantas Ismerim, tem uma loja no bairro de Realengo e presta serviço em localidades como Bangu, Padre Miguel, Sulacap, Vila Vaqueire e Mallet.
“Nos últimos tempos, estou fazendo faixas até para Zona Sul, Baixada. Fiz até para Minas. Um político de lá pediu o serviço pela rede social e veio buscar aqui”, frisa Adriart.
Em relação à fama e às referências de estilo artístico, Thaisa Azevedo pontua que “as faixas se enquadram no que chamamos de Arte Vernacular, é uma arte que nasce da necessidade de um povo e não nas academias de arte. Florescem na periferia e nos subúrbios cariocas através dos anunciantes com falta de acesso aos meios de comunicação de massa (TV, rádio, revistas, jornais). A popularidade dela se dá até os dias atuais pelo custo-benefício, visibilidade estratégica (são colocadas aos olhos do espectador, sinais de trânsito, passarelas, praças). Atualmente usam como referência o Lettering; mas inicialmente, eu diria que dos lambe-lambe da Arte Urbana e poderia dizer até mesmo dos cartazes litográficos de Toulouse-Lautrec, artista Pós-Impressionista”.
E o futuro? Roney Ribeiro, que trabalha pintando faixas há 25 anos, enxerga que os próximos anos das faixas de ráfia no Rio de Janeiro podem não ser tão coloridos: “muitos pintores da antiga estão falecendo e parando de trabalhar”, afirma.
A respeito do que pode pintar para as faixas de ráfia no Rio, a professora de artes Thaisa Azevedo opina que “acredito que continuarão resistindo para eventos e comércios pelo custo-benefício, e eficiência”.