A situação da Patrulha Ambiental no Rio de Janeiro, destacada há 45 dias pela CBN, ainda não foi resolvida, trazendo consequências diretas para o resgate de animais silvestres e a fiscalização de crimes ambientais. Desde outubro de 2025, quando o contrato com a empresa terceirizada que prestava apoio ao serviço foi encerrado, o problema persiste.
Em janeiro, a secretária municipal de Meio Ambiente, Tainá de Paula, havia prometido à rádio que as questões seriam resolvidas em um prazo de 45 dias. No entanto, esse prazo já se encerrou e funcionários relatam que a situação piorou: menos chamados estão sendo atendidos e o número de reclamações por serviços não realizados aumentou.
Os dados do Portal 1746 mostram a gravidade da situação. Nos primeiros dois meses de 2026, apenas 9,8% dos mais de 1,7 mil chamados foram atendidos pela Patrulha. A taxa de reclamação dos moradores chegou a 11,4%. Antes da crise, até outubro do ano passado, a resolução dos chamados ultrapassava os 99% e as queixas eram de apenas 0,5%.
A demora é especialmente preocupante nos resgates de animais, considerados pela Prefeitura como atendimentos urgentes a serem realizados em até 24 horas. Para aqueles que acionam o serviço, cada minuto faz diferença entre a vida e a morte dos animais.
A ativista Isabelle de Loys ressalta que o atendimento está abaixo do aceitável e que os atrasos estão impactando a fauna da cidade de forma significativa. Ela enfatiza que a situação persiste desde outubro do ano passado, e que a ausência de uma Patrulha eficaz por tantos meses é alarmante.
A falta de estrutura também é um dos desafios enfrentados pela Patrulha Ambiental. Segundo fontes da secretaria, problemas com a internet têm dificultado o rastreamento dos chamados em tempo real. Apesar de ter recebido autorização para utilizar carros e funcionários de outros setores, a operação não tem sido suficiente para lidar com o volume de demanda.
O biólogo Marcello Melo destaca as consequências diretas para a biodiversidade. Ele ressalta que a ausência da Patrulha Ambiental nos resgates de animais está resultando em perdas significativas para a fauna carioca, com animais feridos que necessitam de cuidados acabando por falecer.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) informou que o edital para reestruturar o serviço será lançado em breve e que estão em andamento os processos para contratação de pessoal, aquisição de materiais e melhoria da infraestrutura. Em relação à internet e telefonia, foi assinado um contrato para restabelecer os serviços no início de fevereiro. Atualmente, o serviço já está alcançando 86% de atendimento, com 34 Agentes de Defesa Ambiental atuando em todas as regiões da cidade, incluindo 18 profissionais que foram recontratados para reforçar a equipe.