Na Barra da Tijuca, uma área de manguezais situada à beira da Lagoa de Jacarepaguá sofreu danos significativos devido ao crescimento descontrolado de construções de alto padrão. O problema foi identificado na região da Rua Senador Generoso Ponce e, conforme denúncias recebidas pelo biólogo Mario Moscatelli, tem sido notado desde junho de 2025. Apesar das multas aplicadas por órgãos ambientais e do embargo da obra, o espaço continua sem apresentar sinais de recuperação ambiental.
Segundo informações coletadas por Moscatelli, a destruição da vegetação ocorreu dentro da Faixa Marginal de Proteção (FMP) da lagoa, uma área que é protegida por normas ambientais pela sua relevância para a manutenção do equilíbrio do sistema lagunar em Barra e Jacarepaguá.
Mario Moscatelli, um especialista em ecossistemas costeiros, alerta que a eliminação dessa vegetação prejudica a dinâmica natural da lagoa e intensifica os riscos ambientais na área. “A Faixa Marginal de Proteção é crucial para assegurar a estabilidade das margens das lagoas e preservar o corpo d’água, evitando um processo acelerado de assoreamento. Funciona como uma espécie de área de escape em situações de excesso hídrico”, esclareceu o biólogo em uma entrevista.
Imagens aéreas capturadas em dezembro de 2025 revelam que a localidade já se encontra sem uma cobertura vegetal significativa. As denúncias indicam que a remoção do manguezal foi realizada para facilitar obras relacionadas a empreendimentos luxuosos na orla da lagoa.
Os responsáveis pelas obras já receberam penalizações tanto de autoridades municipais quanto estaduais ao longo de 2025, além do embargo das atividades. No entanto, moradores e ativistas ambientais apontam a falta de medidas efetivas para restaurar a área danificada.
Os manguezais são considerados ecossistemas essenciais para o equilíbrio ambiental nas regiões costeiras, desempenhando funções vitais como filtragem da água, proteção contra erosão, controle de enchentes e preservação da biodiversidade. Além disso, servem como berçário natural para diversas espécies marinhas e colaboram na absorção de carbono atmosférico.
A degradação desses ambientes pode resultar em consequências duradouras sobre a qualidade da água nas lagoas da Barra e agravar ainda mais um sistema lagunar que já enfrenta desafios históricos relacionados à poluição e ao assoreamento.