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Descubra as áreas do Rio com maior apreensão de fuzis, conforme dados da PM

por Amanda Clark

A intensificação do uso de armamentos pesados no Rio de Janeiro fez com que a Polícia Militar registrasse 293 fuzis apreendidos apenas nos primeiros meses de 2026. Os dados da Subsecretaria de Inteligência da PM revelam um aumento de aproximadamente 16% em comparação ao mesmo período do ano anterior, o que indica uma reconfiguração no cenário da violência armada no estado, com Niterói se destacando como uma das cidades com maior quantidade de armas militares retiradas de circulação.

Conforme o levantamento, o 41º BPM (Irajá) é o que mais apreendeu fuzis, totalizando 62 unidades. Logo atrás, empatados com 34 apreensões cada, estão o 12º BPM (Niterói) e o 14º BPM (Bangu). O 18º BPM (Jacarepaguá) vem em seguida, com um total de 30 armas confiscadas.

O aumento significativo em Niterói está diretamente relacionado à intensificação das disputas territoriais entre facções criminosas no bairro do Fonseca. As comunidades locais têm sido alvo de conflitos entre o Terceiro Comando Puro (TCP), que busca expandir seu controle sobre áreas anteriormente dominadas pelo Comando Vermelho (CV). Essa sequência de confrontos transformou a região em um dos principais focos das operações policiais no estado.

Nas redes sociais e entre os profissionais de segurança, a área onde ocorrem essas disputas tem sido chamada de “Complexo do Fonseca” ou “Complexo do Fonsequistão”, em alusão à frequência dos tiroteios e à presença marcante de criminosos armados. Os conflitos concentram-se nas comunidades Coronel Leôncio, Santo Cristo, Pimba, Palmeira e Coreia.

O ranking das apreensões feitas pela Polícia Militar em 2026 é o seguinte:

  • 41º BPM (Irajá): 62 fuzis
  • 12º BPM (Niterói): 34 fuzis
  • 14º BPM (Bangu): 34 fuzis
  • 18º BPM (Jacarepaguá): 30 fuzis
  • 15º BPM (Duque de Caxias): 17 fuzis
  • 9º BPM (Rocha Miranda): 15 fuzis
  • 1º BPM (Venda da Cruz/São Gonçalo): 12 fuzis
  • Bope: 11 fuzis
  • 17º BPM (Ilha do Governador): 10 fuzis
  • 39º BPM (Belford Roxo): 7 fuzis

A distribuição das apreensões revela uma forte concentração na Região Metropolitana. O 2º Comando de Policiamento de Área (CPA), responsável por batalhões da Zona Oeste e parte da Zona Norte da capital, isoladamente contabilizou a retirada de 149 fuzis. Por sua vez, o 4º CPA, que abrange Niterói e municípios do Leste Metropolitano, registrou a apreensão de 61 armas. O terceiro lugar ficou com o 3º CPA, que cobre cidades da Baixada Fluminense e somou 35 apreensões.

Os dados indicam ainda que abril foi o mês mais crítico deste ano em relação à circulação desse tipo de armamento. Nesse período, foram confiscados 92 fuzis. No início do ano, janeiro apresentou a retirada de 64 armas; fevereiro teve um total de 44; março registrou a apreensão de 67; enquanto maio já conta com pelo menos 26 apreensões nos primeiros dias.

Outro aspecto relevante apontado pelo levantamento é a conexão direta entre as armas confiscadas e as facções criminosas atuantes na região. A PM relatou que dos fuzis apreendidos, 170 estavam associados ao Comando Vermelho e outros 88 pertenciam ao TCP. Além disso, as milícias foram relacionadas a outras 14 apreensões. Também foram identificadas ocorrências envolvendo indivíduos sem vinculação a facções específicas, além de armas atribuídas à ADA e grupos mistos.

A corporação ainda destacou que o encerramento do ano passado contabilizou um total histórico de 810 fuzis apreendidos em toda a série histórica desde 2015. O maior número mensal ocorreu em maio do último ano, quando foram retiradas das ruas um total de 178 armas. A maior apreensão em um único dia foi registrada no dia 28 de outubro do ano passado durante uma operação nos complexos da Penha e do Alemão, resultando na recuperação de 94 fuzis.

A maioria das operações recentes ocorreu em áreas marcadas por conflitos entre facções rivais como Vila Kennedy, Complexo de Camará e várias comunidades no Complexo de Jacarepaguá na Zona Oeste do Rio e também no Fonseca em Niterói.

Numa ação realizada na última quarta-feira pela PM na capital fluminense e nas regiões adjacentes como Baixada Fluminense e Costa Verde, foram confiscados um total de 21 fuzis em menos de um dia. Entre os itens recuperados estava uma metralhadora Browning calibre .30 encontrada em um esconderijo utilizado pelo tráfico na Comunidade da Coreia em Senador Camará. Esse armamento é capaz de penetrar blindagens e atingir aeronaves policiais.

A escalada da violência em Niterói tem impactado diretamente os cerca de 46 mil habitantes do Fonseca. Desde novembro do ano anterior, essa área enfrenta constantes confrontos decorrentes da rivalidade entre CV e TCP. A maioria das apreensões feitas pelo batalhão local ocorreu próximo a vias importantes como a Alameda São Boaventura, Rodovia Niterói-Manilha e os acessos à Ponte Rio-Niterói, além das proximidades das unidades policiais.

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