Comemorando cinco anos de atividades, a Ronda Maria da Penha (RMP), da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio), já prestou assistência a 10.550 mulheres ao longo desse período. Apenas em 2025, a RMP recebeu 3.933 chamados, resultando em 5.631 mulheres protegidas. No ano anterior, foram registradas 24.194 ações de acolhimento, que consistem em visitas regulares e acompanhamento para garantir o bem-estar das assistidas. A excelente notícia é que em 2025 não houve nenhum caso de feminicídio entre as protegidas.
A Ronda Maria da Penha destaca que a violência contra as mulheres não faz distinção de classe social, raça, escolaridade, religião ou idade. Entre as mais de cinco mil medidas protetivas em vigor, um caso notável é o de uma idosa de 100 anos, moradora da Tijuca, na Zona Norte, que recebe proteção desde 2023 contra seu neto, com quem convivia e que cometia violência psicológica.
A idosa relatou que o neto se tornava agressivo após consumir álcool: “Ele me xingava muito e eu ficava com medo, até que me levaram até a delegacia e conseguiram afastá-lo”, disse ela, cuja identidade deve ser preservada por motivos de segurança.
As equipes da Ronda Maria da Penha também estão preparadas para prestar socorro a mulheres em situações de emergência e violência flagrante. Em 2025, foram realizadas 265 conduções à delegacia e 43 prisões em flagrante, a maioria delas por descumprimento de medidas protetivas.
Desde o início do projeto, foram feitas 161 prisões, envolvendo casos de violência física e até mesmo cárcere privado. Em todas as ocorrências, a integridade das vítimas foi preservada e os agressores foram encaminhados à delegacia de forma humanizada. O comandante da GM-Rio, inspetor geral Itaharassi Bonfim Júnior, faz uma avaliação positiva da atuação da RMP:
“Cada guarda municipal é treinado para combater essa forma de violência. As equipes da Ronda Maria da Penha estão na linha de frente e realizam ações de conscientização e educação. Além disso, contamos com protocolos operacionais claros e rigorosos que são seguidos internamente, pois nosso compromisso principal é proteger a vida e a dignidade das mulheres cariocas. É importante ressaltar que fazemos parte de uma rede nacional de proteção às mulheres e a parceria com outros órgãos, especialmente a Secretaria da Mulher do nosso município, potencializa nosso trabalho”, esclareceu o inspetor.
O projeto da Ronda Maria da Penha
Foi criado em 12 de março de 2021, devido ao aumento dos casos de violência doméstica durante a pandemia de Covid-19. Segundo o Instituto DataSenado, em colaboração com o Observatório da Mulher, a violência aumentou em mais de 80% durante esse período.
A Ronda Maria da Penha possui bases nas principais regiões onde há concentração de denúncias de violência doméstica na capital, ampliando o atendimento às mulheres. Atualmente, a Ronda conta com aproximadamente 100 guardas municipais capacitados para lidar com essa questão.
Segundo a líder da Ronda, Glória Maria, o projeto não se limita a verificar se as medidas protetivas estão sendo cumpridas, mas também oferece suporte às vítimas:
“Nosso objetivo é garantir proteção imediata, que será fiscalizada. Além de toda a assistência necessária, como acesso ao mercado de trabalho, acompanhamento psicológico e equipes multidisciplinares dispostas a auxiliá-las até que não precisem mais recorrer à Lei Maria da Penha”, explicou Glória.
O projeto visa fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas urgentes emitidas pelos Juizados de Violência Doméstica e Familiar, além de atuar em situações de emergência e casos de violência flagrante.
As equipes da Ronda Maria da Penha atuam em parceria com a Secretaria da Mulher da Prefeitura do Rio, e fazem parte da Rede de Proteção à Mulher no Brasil, que inclui órgãos municipais, estaduais e federais.