O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), admitiu à Polícia Federal que não comunicou às autoridades sobre a movimentação do deputado estadual TH Jóias na véspera de uma operação contra ele. Segundo informações divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, Bacellar recebeu um vídeo de TH Jóias mostrando um freezer cheio de carnes com a mensagem de que não seria possível levar.
Durante o depoimento prestado logo após sua prisão na última quarta-feira, Bacellar afirmou que não estava lá para entregar colegas, nem para proteger aqueles que não fazem nada de errado. A Polícia Federal está investigando se houve vazamento de informações por parte de Bacellar na operação que resultou na prisão de TH Jóias. A casa do deputado apresentava sinais de ter sido abandonada às pressas e a análise do celular de Bacellar revelou elementos que sugerem orientação para a destruição de provas.
No vídeo exibido pelo Fantástico, o delegado questiona por que Bacellar não alertou autoridades competentes, como a Polícia Civil ou o Ministério Público, ao perceber a movimentação suspeita. Mesmo diante das insistências do delegado sobre os riscos de prejudicar a ordem judicial, Bacellar reiterou que não entregaria seu colega e considerou a ligação de TH Jóias como impertinente.
A prisão de Bacellar agravou a crise política na Alerj, expondo fissuras internas e gerando um vácuo de liderança na Assembleia Legislativa. Setores da oposição e parte da base aliada articulam para manter a prisão do parlamentar, temendo uma possível nova rodada de investigações que poderia atingir outros gabinetes.
A crise envolvendo Bacellar, um dos principais aliados do governador Cláudio Castro, impacta diretamente o Palácio Guanabara. Antes de romper parcialmente com o governo, Bacellar exercia influência em áreas estratégicas e sua prisão fragiliza a articulação do governo, que enfrenta resistência crescente no Legislativo.
TH Jóias é acusado de diversos crimes, incluindo tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, atuava como operador do Comando Vermelho no Legislativo fluminense, intermediando negociações de armas, drogas e equipamentos antidrones para o Complexo do Alemão. A Operação Zargun, que resultou na prisão de TH Jóias em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão, recolhendo materiais na Alerj que reforçam a suspeita de envolvimento do Legislativo em atividades criminosas.