Uma mobilização do grupo político liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está em andamento em Brasília, com o objetivo de desbloquear a sucessão no Governo do Rio de Janeiro. Essa estratégia inclui buscar apoio junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e intensificar a pressão sobre o Congresso, enquanto o caso permanece sem resolução no Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme informações de uma reportagem, as bancadas do PL, União Brasil e PP na Câmara e no Senado planejam obstruir os trabalhos legislativos nesta semana. Essa ação pode impactar votações importantes para o governo Lula, incluindo uma proposta que aborda a alteração na escala 6 por 1, um tema que está na lista de prioridades do Palácio do Planalto.
A articulação tem como foco a intenção de colocar o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), à frente do Palácio Guanabara temporariamente. Ele é o candidato escolhido pelo PL para concorrer ao governo estadual.
O grupo de Flávio Bolsonaro considera a retomada do governo fluminense fundamental para assegurar sua influência política no estado. Atualmente, o cargo é ocupado pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que assumiu a função interinamente por determinação judicial em meio à crise sucessória gerada pela saída de Cláudio Castro (PL).
Thiago Pampolha, ex-vice-governador, deixou seu posto para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Por outro lado, Rodrigo Bacellar, que era presidente da Alerj e estava na linha sucessória, foi preso e perdeu seus direitos políticos.
Dessa forma, a discussão se concentra em determinar se o novo governador deve ser eleito diretamente pela população ou através de um processo indireto realizado pelos deputados estaduais da Alerj.
A estratégia foi debatida durante uma visita de Flávio Bolsonaro ao Rio de Janeiro no último fim de semana. Ele participou de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), liderado pelo pastor Silas Malafaia.
No evento também estiveram presentes o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), o ex-governador Cláudio Castro, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e Douglas Ruas.
A expectativa é que Flávio Bolsonaro busque uma conversa com Davi Alcolumbre nesta semana para solicitar alguma ação institucional junto ao STF. Como Alcolumbre está viajando para os Estados Unidos até quarta-feira (6), a comunicação pode ser realizada através de um intermediário.
O primeiro-vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também deverá contatar o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Os bolsonaristas acreditam que Motta e Alcolumbre podem atuar como facilitadores na busca por uma solução com o Supremo.
O julgamento no STF encontra-se suspenso após um pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino. Antes dessa pausa, os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia já haviam manifestado votos favoráveis à realização de uma eleição indireta no estado, acompanhando Luiz Fux.
Atualmente, o placar parcial está em 4 a 1 em favor da eleição indireta. O único voto até agora pela eleição direta foi dado pelo ministro Cristiano Zanin.
Enquanto essa questão não é resolvida, Ricardo Couto continua exercendo suas funções como governador interino.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, refuta a ideia de que o grupo busca uma decisão favorável apenas a Douglas Ruas. Ele afirma que a demanda é por uma definição rápida por parte do STF: “Não estamos pleiteando nenhuma decisão específica para Douglas Ruas. Nossa prioridade é que o Supremo decida logo sobre a sucessão no Rio. Não podemos ter um desembargador sem legitimidade eleitoral ocupando essa posição indefinidamente”, declarou Sóstenes Cavalcante.
Aliados próximos a Flávio observam que há uma articulação envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Flávio Dino e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) visando manter Ricardo Couto no cargo. Esta avaliação provém dos círculos bolsonaristas e faz parte das disputas políticas relacionadas ao controle do governo estadual.
Para o PL, a ascensão de Douglas Ruas ao Palácio Guanabara representaria um apoio significativo nas eleições programadas para outubro e garantiria acesso à estrutura estatal. Para seus opositores, a urgência demonstrada pelos bolsonaristas revela a importância estratégica do governo fluminense na formação das alianças políticas para 2026.