Durante os jogos da Seleção Brasileira, milhões de torcedores brasileiros seguem um ritual característico da Copa do Mundo: acordar cedo, trabalhar, organizar a casa ou até mesmo sair para acompanhar as partidas do Brasil. Isso se repete a cada quatro anos, com viagens, visitas a amigos ou simplesmente indo da sala para a cozinha. Essa parte todos já conhecem.
Mas você já parou para pensar como é a rotina dos jogadores? E se, ao invés de se preparar para assistir ao jogo, você tivesse que se arrumar para entrar em campo?
Como jornalista e apaixonado por futebol, não consigo responder essa questão. Por isso, buscamos aqueles que realmente viveram essa experiência: os jogadores que atuaram e até conquistaram uma Copa do Mundo. Conheça alguns deles:
Carlos Germano: ex-goleiro que defendeu as cores de Vasco da Gama, Santos, Internacional e Botafogo. Ele participou da Copa do Mundo de 1998;
Edilson Capetinha: ídolo corintiano e ex-atacante que foi campeão mundial em 2002 com a Seleção Brasileira;
Ricardo Rocha: ex-zagueiro com passagens por clubes como São Paulo, Real Madrid, Santos e Vasco da Gama. Ele jogou nas Copas de 1990 e 1994, conquistando o título em 1994;
Silas: ex-jogador de São Paulo e Vasco da Gama que disputou as Copas de 1986 e 1990;
Luigi Apolloni: ex-jogador do Parma que participou da Copa do Mundo de 1994 pela seleção italiana.
A convocação: o início da trajetória
A seleção dos 26 convocados para representar o Brasil revela que a jornada rumo à Copa do Mundo começa muito antes do apito inicial.
A empolgação dos jogadores é palpável ao ver seus nomes na lista de convocados. A maioria descreve esse momento como a realização de um sonho.
Luigi Apolloni expressa sua emoção: “Participar de uma Copa do Mundo é algo extraordinário e maravilhoso; representa a recompensa por muitos sacrifícios feitos desde criança, quando jogava apenas por diversão e depois se tornou profissional. Chegar a um evento tão único como a Copa é incrível.”
Embora não haja dados concretos, estima-se que aproximadamente 20 mil brasileiros joguem futebol profissionalmente. O treinador seleciona 26 atletas (número válido desde 2022; anteriormente eram menos).
A cada quatro anos se repete esse processo. Ao longo deste século, considerando sete Copas do Mundo, apenas cerca de 140 jogadores por país tiveram a oportunidade de competir no torneio.
Ricardo Rocha compartilha sua alegria ao ser convocado: “Fui abençoado por ter jogado em duas Copas — em 90 e em 94.”
A realização de um sonho
Carlos Germano complementa: “É o maior desejo de um jogador. A alegria é indescritível. Representar seu país na Copa do Mundo é uma emoção sem igual.”
Como é a rotina durante o torneio?
Aqueles que já viajaram a trabalho compreendem os desafios de manter uma rotina fora de casa. Porém surge uma pergunta: disputar uma Copa requer algo além das atividades habituais? Para os atletas, a resposta é não. Apesar do encanto que envolve jogar um mundial, sua rotina é bastante similar ao dia-a-dia enfrentado durante todo o ano.
Germano explica: “O cotidiano permanece inalterado: treinos, descanso, jogos e deslocamentos. Contudo, tudo acontece com mais intensidade e visibilidade. Mantemos horários rigorosos para alimentação, descanso e palestras.”
Apolloni acrescenta: “Os treinamentos são cuidadosamente planejados pelo técnico para garantir que chegamos bem preparados à competição. Além disso, contamos com apoio médico constante e alimentação adequada.”
Silas observa que “o dia-a-dia segue normalmente como em qualquer time durante o campeonato — alimentação controlada, treino contínuo… às vezes assistindo vídeos sobre os adversários.”
Edilson Capetinha destaca a competência da equipe técnica na manutenção dos atletas durante o torneio: “É uma experiência maravilhosa; temos boa alimentação e acompanhamento diário nas áreas física e psicológica.”
A pressão das críticas
No entanto, como lidar com as críticas? Silas esclarece que os jogadores têm acesso às notícias sobre si mesmos e conversam entre amigos durante o período concentrado.
<p“Na concentração há tempo para ler notícias e interagir”, comenta Silas.
E quanto ao turismo? Uma pausa como turista
É comum que os atletas estejam competindo em países onde não residem. Mas será possível aproveitar esses momentos também como turistas?
Ricardo Rocha revela: “Temos algumas folgas para curtir com família ou conhecer um pouco mais sobre o local; no entanto, essas pausas são breves. É possível equilibrar lazer com responsabilidades — geralmente dedicamos 80% ou 90% ao trabalho visando o título.”
Apolloni recorda momentos relaxantes durante a Copa de 1994: “O técnico nos ofereceu algum tempo livre; aqueles com familiares puderam passar tempo juntos enquanto os solteiros exploravam a cidade.”
Dessa forma, mesmo transmitindo uma imagem de total concentração, é impossível sustentar esse estado continuamente; todos precisam ter seus momentos pessoais.
Edilson comenta sobre o papel da família nesse contexto: “Manter contato familiar é vital; eles nos proporcionam energia positiva mesmo estando concentrados no trabalho. É crucial focar no objetivo.”
A singularidade da Copa do Mundo
Todas as opiniões convergem ao afirmar que o elemento distintivo da Copa do Mundo em comparação aos outros torneios é sua raridade. Considere um atleta com duas décadas de carreira — ele pode participar aproximadamente de 20 campeonatos nacionais e dezenas de copas locais ou internacionais ao longo desse período totalizando cerca de 40 ou 50 chances para conquistar um troféu. No entanto, no caso das Copas do Mundo isso muda drasticamente.
Apenas alguns jogadores terão essa oportunidade única na carreira devido à rigorosa seleção realizada para cada convocação.
“A cada quatro anos há uma nova chance; conquistar este título não é fácil — estamos há 24 anos sem ganhar novamente”, reflete Ricardo Rocha.
Carlos Germano acrescenta ainda mais peso à importância desse torneio: “Na Copa de 1998 foram apenas sete jogos até chegar à final — não há espaço para erros; precisamos estar totalmente focados.”
Momentos inesquecíveis
A experiência na Copa pode resultar tanto em grandes alegrias quanto em profundas desilusões. Os jogadores compartilharam suas memórias mais marcantes.
“Um revés sempre traz dor; por outro lado, vencer traz felicidade”, relata Silas.
No entanto, sabemos muito bem sobre o icônico momento da derrota italiana na final da Copa de 1994 pela perspectiva dos vencedores; ouvimos também Luigi Apolloni relembrando sua vivência no torneio — marcada pela alegria diária jogando futebol enquanto testemunhava as vitórias brasileiras.
“Minha estreia foi mágica — aconteceu inesperadamente devido à lesão do Baresi; fui escolhido pelo treinador e fiquei radiante”, recorda Apolloni. “Entretanto ver o Brasil erguer aquele troféu foi extremamente amargo.”
“Perder nunca é fácil”, reflete Edilson sobre sua experiência na Copa de 2002 onde teve uma campanha invicta.
A alegria maior
“Vencer numa Copa do Mundo é cumprir uma missão”, destaca Edilson sobre seu triunfo mundial.
Lembranças eternizadas pelo legado das Copas
“Jogadores passam a fazer parte dos poucos privilegiados que vestiram as cores da seleção”, afirma Silas sobre seu legado pessoal após participar da competição.”
“Mudar vidas faz parte dessa experiência única”, conclui Ricardo Rocha provocando reflexão sobre seu orgulho ao ser pentacampeão.”
“Não existe valor monetário capaz de substituir esta memória”, finaliza Edilson sobre ser lembrado por toda vida após conquistar esse feito.”
A realidade oculta atrás das câmeras:
Pela manhã os torcedores vibram pintando rostos enquanto aguardam ansiosos pelas partidas;
Dentro dos campos existe uma luta diária repleta de treinos intensos e pressão constante;
A realidade dos jogadores ultrapassa os meros noventa minutos – eles buscam realizar sonhos construídos desde infância sob olhares exigentes;
Neste contraste reside toda magia dessa competição global – enquanto bilhões assistem apenas alguns poucos têm essa oportunidade singular.”