Home NotíciasMPF busca suspender autorizações da Prefeitura do Rio para construções em zonas históricas sem aprovação do Iphan

MPF busca suspender autorizações da Prefeitura do Rio para construções em zonas históricas sem aprovação do Iphan

por Amanda Clark

Após a suspensão de um projeto da montadora chinesa GWM em uma zona histórica do Aterro do Flamengo, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a levantar preocupações sobre como a Prefeitura do Rio de Janeiro autoriza obras em imóveis que são protegidos por legislação de patrimônio histórico. Em uma petição protocolada na terça-feira (16/06), o procurador Sergio Suiama solicitou à Justiça que o município seja impedido de conceder licenças, alvarás e outros permissivos relacionados a obras em bens tombados pelo Iphan ou em suas áreas adjacentes, sem a aprovação prévia do instituto.

A solicitação surgiu após uma denúncia recebida pelo MPF na segunda-feira (15/06). O órgão informou que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) havia autorizado a empresa GW Rio Veículos Ltda., representante da GWM, a erguer um edifício destinado à exposição de veículos elétricos.

O projeto, inicialmente divulgado pelo DIÁRIO DO RIO, tinha como proposta uma construção de 1.462 metros quadrados localizada no canteiro central entre as pistas da Avenida Infante Dom Henrique e da Avenida Rui Barbosa, próximo à Enseada de Botafogo. Entretanto, a obra foi embargada pelo Iphan e teve sua licença suspensa pela prefeitura.

Na sua manifestação, o MPF destaca que essa situação não é única e critica o que considera uma prática comum de “autolicenciamento” ambiental e urbanístico por parte do governo municipal. O documento afirma que as normas estabelecidas pela SMDU têm possibilitado a concessão de licenças sem a avaliação prévia dos órgãos encarregados da proteção do patrimônio cultural.

Além disso, o pedido à Justiça também revisita questões relacionadas a um decreto municipal datado de 2022. Segundo o procurador Sergio Suiama, essa norma transferiu aos empreendedores a obrigação de informar sobre possíveis impactos em áreas protegidas, diminuindo assim o papel fiscalizador do poder público. Para o MPF, esse modelo compromete seriamente a preservação do patrimônio cultural e paisagístico da cidade e requer uma revisão urgente.

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