Home NotíciasPiloto de helicóptero acidentado no Recreio estava sob investigação por atividades irregulares de táxi aéreo

Piloto de helicóptero acidentado no Recreio estava sob investigação por atividades irregulares de táxi aéreo

por Amanda Clark

Uma das aeronaves que se envolveram na colisão de helicópteros, resultando na morte de seis pessoas no Recreio dos Bandeirantes, já havia sido investigada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por suspeitas de operar como táxi aéreo clandestino. Essa investigação foi iniciada a partir de uma denúncia anônima e culminou na autuação da empresa proprietária da aeronave, que não apresentou as informações solicitadas pela fiscalização.

Documentos da Anac revelam que a denúncia indicava que o helicóptero com prefixo PP-MAC realizava transporte remunerado de passageiros sem a certificação necessária para essa atividade. Além disso, o relato também levantou questões sobre possíveis irregularidades operacionais, incluindo manutenção vencida e falhas nos registros do diário de bordo da aeronave.

A apuração começou em 2025, quando a agência reguladora requisitou à empresa responsável documentos que poderiam confirmar ou desmentir as alegações. Contudo, conforme informado pela Anac, as informações solicitadas não foram apresentadas no prazo estipulado.

Com a falta dos dados requeridos, a agência decidiu emitir um auto de infração devido à recusa em fornecer documentos e outras informações demandadas pelos agentes de fiscalização. Essa ação não constituiu um veredicto sobre as denúncias, mas ocorreu em decorrência do não cumprimento das exigências de cooperação com a investigação.

A Anac não apenas autuou a empresa, mas também recomendou que a aeronave e o Aeroporto de Jacarepaguá fossem incluídos no plano de fiscalização presencial da agência, visando verificar as condições operacionais e investigar possíveis irregularidades mencionadas na denúncia.

Outra aeronave envolvida na tragédia também estava sob vigilância

A segunda aeronave implicada no acidente, um Airbus H125 – popularmente conhecido como Esquilo – havia atraído a atenção da fiscalização meses antes da colisão fatídica.

Relatórios da Operação Voe Seguro, conduzida pela Anac em fevereiro deste ano, registraram indícios de que o helicóptero poderia estar realizando atividades de transporte aéreo clandestino. A movimentação percebida no Heliporto da Lagoa levou os fiscais a sugerirem um monitoramento mais rigoroso dessa aeronave.

Apesar das suspeitas assinaladas nos relatórios de fiscalização, ambas as aeronaves possuíam certificados de aeronavegabilidade válidos e estavam legalmente autorizadas para operar no momento da colisão.

O que define um táxi aéreo clandestino?

A Anac classifica o transporte aéreo clandestino como aquele em que passageiros são transportados mediante pagamento sem que o operador tenha autorização específica para oferecer esse serviço. A legislação brasileira exige que empresas desse tipo possuam certificação própria e sigam requisitos técnicos e operacionais rigorosos. Entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, a agência realizou 884 fiscalizações na aviação geral em todo o país, identificando indícios de transporte aéreo clandestino em 65 dessas investigações.

A investigação sobre o acidente prossegue

O trágico incidente ocorreu na manhã do último domingo (14), quando dois helicópteros colidiram durante o voo sobre o Recreio dos Bandeirantes. Após o impacto, uma das aeronaves despencou sobre uma concessionária de veículos e provocou um incêndio. As seis vítimas fatais incluem o cantor norte-americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspi, além dos pilotos e outros ocupantes das aeronaves.

Até agora, não há evidências que conectem as suspeitas anteriormente investigadas pela Anac ao acidente. A elucidação do caso dependerá do resultado das perícias técnicas e dos relatórios elaborados pelos órgãos competentes.

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