Home UncategorizedJade Barbosa celebra primeiro Dia das Mães com Eva e volta aos treinos mirando Los Angeles 2028

Jade Barbosa celebra primeiro Dia das Mães com Eva e volta aos treinos mirando Los Angeles 2028

por amandaclark

Uma data ressignificada pela maternidade

A ginasta Jade Barbosa, aos 34 anos, vive um momento único: celebra seu primeiro Dia das Mães com a filha Eva, de apenas 5 meses, enquanto se prepara para retornar à ginástica de alto rendimento. A data, que por muitos anos carregou significado agridoce para a atleta, ganha novo sentido neste 2026. Desde os 9 anos, Jade convive com a perda de sua mãe, Janaína, que faleceu vítima de aneurisma cerebral, deixando um vazio que marcaria sua vida.

A chegada de Eva, assim como Flora, filha de seu irmão Pedro, transformou a dinâmica familiar. Segundo Jade, as pequenas “transformaram, preencheram, deram vida à família”. Mesmo com o luto permanente, a atleta reconhece que “esse lugar, mesmo vazio, floresceu”, refletindo sobre como a presença das crianças traz nova esperança para a família.

O papel fundamental do pai César

Apesar da perda precoce da mãe, Jade encontrou suporte essencial em seu pai, César, que assumiu a dupla função de pai e mãe com dedicação exemplar. Durante a infância, ele se fazia presente em todas as ocasiões, cuidando dos detalhes que uma mãe cuidaria: maquiava a filha para as competições, pintava suas unhas, confeccionava pulseiras de miçanga e até costurava uniformes de ginástica.

Essa dedicação paternal criou em Jade um modelo de parentalidade que ela agora busca replicar com Eva. “Parece que ela sabia que teria algo e escolheu um homem maravilhoso para cuidar de nós”, reflete a atleta sobre a escolha de sua mãe. A filosofia que guia Jade como mãe vem de seu técnico Francisco Porath Neto: “O abraço no fim da série está garantido”, ou seja, independentemente do resultado, ela estará ali para sua filha.

Conciliando maternidade e ginástica de alto rendimento

Há apenas um mês, Jade retomou os treinos de ginástica, levando Eva consigo ao ginásio. A pequena mama exclusivamente no peito, em livre demanda, acompanhando a mãe em pelo menos três atividades semanais, além da musculação. Essa rotina exigente é possível graças ao apoio da Confederação Brasileira de Ginástica, que pela primeira vez acompanha uma atleta retornando do pós-parto para carreira em alto rendimento.

O retorno aos treinos não foi isento de desafios. Jade precisou lidar com uma cesárea inesperada, após 28 horas de trabalho de parto natural. Eva nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço, levando o obstetra a recomendar a intervenção cirúrgica. “Percebi como mãe que a gente sempre tenta fazer o melhor, mas muitas vezes não sairá como esperamos. Temos de ser resilientes”, reflete a atleta sobre a experiência.

Recuperação gradual e realista

Accustumada à perfeição que sua modalidade exige, Jade precisou aprender a ser gentil consigo mesma durante a recuperação. Ela compreende que seu momento agora é de fazer apenas o que consegue executar, aumentando o trabalho físico aos poucos. “Só faço o que não dói”, é seu mantra atual. No início, conseguia fazer apenas oito abdominais; antes da gravidez, realizava séries de 12 com caneleiras e, no teste físico, alcançava 40 repetições. Apesar disso, Jade se sente “feliz com oito”.

Desafios da maternidade e vida pessoal

Apesar de toda a alegria que Eva traz, Jade enfrenta os desafios comuns à maternidade. Sofreu com leite empedrado e dificuldades no sono, já que Eva dorme apenas quatro horas consecutivas. Nos dois primeiros meses, a pequena adormecia exclusivamente no colo. “Descansar para o dia seguinte? Não sei como fazer ainda”, confessa a atleta do Flamengo.

A maternidade representa mais um recomeço para Jade, que ao longo dos anos conviveu com múltiplas contusões e cirurgias. A mais recente foi em dezembro de 2024, corrigindo uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito. Ainda assim, ela permanece otimista: “Sempre me imaginei sendo mãe, mas em outro momento, quando não seria mais ginasta”.

Los Angeles 2028: o próximo grande objetivo

Jade acredita que seu timing foi perfeito. Grávida no primeiro ano do ciclo para os Jogos de Los Angeles 2028, ela calcula ter tempo suficiente para se preparar adequadamente. “Deus foi generoso. Estou vivendo o que sonhei”, declara a atleta, referindo-se à cirurgia no joelho que realizou especificamente para tentar participar de mais uma Olimpíada.

Seu retorno às competições será gradual. O Campeonato Mundial por Equipes, em Jacarta na Indonésia em outubro, é um importante objetivo, assim como o Mundial de 2027, em Chengdu na China, que também é classificatório para as Olimpíadas. “Não tenho competição como meta. Se pudesse, voltaria para o Mundial. Mas a recuperação é importante também pela qualidade de vida”, explica Jade sobre sua abordagem mais equilibrada.

O melhor dos dois mundos

Neste Dia das Mães, Jade segue sua rotina dividida entre a família e o esporte. No domingo, estava em Natal acompanhando o Troféu Brasil, com planos de retornar ao Rio para celebrar em família. Ela quer “o melhor dos dois mundos”: quando Eva fez um mês, Jade foi ao ginásio com a filha apenas para respirar seu ambiente, para se sentir em casa novamente. “Comemorarei este dia onde quero estar: no ginásio e com ela”, resume a atleta, sintetizando sua nova realidade de mãe-atleta em busca de seus sonhos olímpicos.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?
-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00