Uma trajetória marcada pela transformação
Gabriella Saraivah ficou marcada na memória do público brasileiro ao interpretar Miluce, uma das crianças do lixão em “Avenida Brasil”. Porém, a vida da atriz mudou drasticamente desde aquele período. Aos 21 anos, ela vive há seis anos na Califórnia, nos Estados Unidos, onde equilibra testes como atriz em Hollywood com os estudos universitários em psicologia. A escolha pela formação acadêmica reflete sua necessidade de segurança financeira e estabilidade profissional em um mercado audiovisual notoriamente imprevisível.
Educação e carreira profissional nos EUA
A decisão de estudar psicologia vai além de uma simples escolha acadêmica. Gabriella explica que o estudo do comportamento humano mantém uma conexão direta com a atuação, enquanto oferece uma alternativa viável diante da instabilidade inerente à carreira de atriz. Simultaneamente aos estudos do terceiro ano de faculdade, ela trabalha como terapeuta comportamental especializada em pessoas no espectro autista, demonstrando seu compromisso tanto com a formação profissional quanto com contribuições sociais significativas.
O trabalho como terapeuta comportamental representa um aspecto gratificante de sua vida cotidiana. Apesar das dificuldades iniciais, Gabriella ressalta que sempre adorou trabalhar com crianças e encontrou satisfação nessa área, mesmo reconhecendo que ainda tem muito a aprender. Esse engajamento reflete uma maturidade que contrasta significativamente com a imagem pública que muitos ainda mantêm dela.
O desafio de superar a imagem de atriz infantil
Após “Avenida Brasil”, Gabriella prosseguiu sua carreira no remake de “Chiquititas” (2013), interpretando a personagem Tati. Contudo, enfrentou uma realidade desafiadora: o público ainda possui dificuldade em vê-la como uma atriz adulta. Ela expressa nostalgia e orgulho pelo trabalho realizado na trama clássica, mas reconhece que muitas pessoas ainda não a veem como mulher. Frequentemente, quando compartilha conteúdos sobre seu amadurecimento nas redes sociais, comentários como “Nossa, a Tati cresceu” reforçam essa percepção desatualizada.
Gabriella compreende que, como suas personagens televisivas eram predominantemente adolescentes, o público necessita visualizá-la em papéis mais maduros para compreender plenamente sua evolução pessoal e profissional. Ela sente nostálgia daquele período inicial e mantém certeza de que “a mini Gabi ficaria orgulhosa da Gabi de hoje”.
As dificuldades como imigrante em Hollywood
A carreira internacional de Gabriella apresenta obstáculos consideráveis. Ela conseguiu participar do filme “The Other Zoe”, disponível no Prime Video, mas as oportunidades permanecem limitadas. O mercado audiovisual americano, notoriamente o mais concorrido do mundo, mantém-se fechado em relação às questões de sotaque. Frequentemente, quando produtoras buscam atores latinos, optam por profissionais que falam inglês sem qualquer sotaque, dificultando o acesso de imigrantes ao mercado.
O preconceito nos Estados Unidos é uma realidade que Gabriella enfrenta de forma relativa. Embora não experimente discriminação tão intensamente quanto alguns conhecidos, sua mãe e seu irmão já vivenciaram tratamentos discriminatórios, incluindo críticas ao sotaque. Ela descreve essas situações como “muito triste”, refletindo sobre como o preconceito pode impactar a vida de imigrantes.
Custos de vida e desafios financeiros
Manter-se nos Estados Unidos representa um desafio financeiro significativo. Gabriella e sua mãe trabalham constantemente para cobrir as despesas, e a situação não é fácil para nenhum imigrante. Ela sente a necessidade de “ralar mais para provar seu valor”, reconhecendo que se alguém executa algo bem, ela precisa fazer duas vezes melhor apenas para talvez ser adequadamente reconhecida.
Turbulências familiares e crescimento pessoal
A vida doméstica de Gabriella também apresentou desafios significativos. No final do ano passado, ela publicou um desabafo sobre a convivência com seu irmão, caracterizando-a como tóxica e mencionando momentos de insegurança no ambiente familiar. Refletindo sobre esse período, ela explica que seu irmão estava na adolescência e passava por momentos turbulentos de autoconhecimento. Aos 18 anos, ele apresentava comportamentos típicos dessa fase etária, mas essa situação evoluiu positivamente.
Atualmente, seu irmão está bem, e Gabriella reconhece que aquilo foi “coisa da idade”. Essa maturidade na abordagem de conflitos familiares demonstra seu crescimento pessoal.
Planos futuros e perspectivas profissionais
Gabriella não descarta a possibilidade de retornar ao Brasil para projetos audiovisuais de maior envergadura. Ela enfatiza que muitos assumem que, por ter se mudado, não voltaria, mas a realidade é diferente. Continua participando de testes para novelas brasileiras e permanece disponível para oportunidades. Ela declara: “Amo a rotina de gravação e aceitaria na hora voltar para passar meses, caso fosse um projeto maior”.
Sua jornada ilustra os desafios enfrentados por jovens atores que almejam sucesso internacional, equilibrando carreiras instáveis com formação acadêmica, vivências como imigrantes e transformações pessoais contínuas.