Neste sábado, dia 30 de maio, o sistema ferroviário do Rio de Janeiro inicia uma nova fase com a entrada em operação assistida do consórcio Nova Via Mobilidade, que assume a gestão dos trens urbanos após a saída da antiga concessionária. Essa transição implica um maior envolvimento do Governo do Estado na administração da rede, além de introduzir novas diretrizes focadas em desempenho, manutenção e qualidade dos serviços oferecidos.
No entanto, não ocorrerão mudanças imediatas nos horários, ramais ou funcionamento das estações. O sistema passará por diversas intervenções ao longo dos próximos meses, com o objetivo de restaurar a infraestrutura e otimizar as operações dos trens. Também será implementada uma nova identidade visual para a marca Trens RJ, que substituirá a atual em toda a rede ferroviária gradualmente.
Priscila Sakalem, secretária estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, enfatiza que essa nova fase visa revitalizar o sistema ferroviário e melhorar os padrões de atendimento aos usuários. “Estamos iniciando um processo voltado para eficiência, segurança e qualidade para os mais de 300 mil passageiros diários. Este será um esforço contínuo de estabilização e recuperação da ferrovia, fundamentado em referências técnicas contemporâneas do setor e metas de desempenho”, afirmou.
Para os próximos cinco anos, o Governo do Estado planeja um investimento superior a R$ 600 milhões na malha ferroviária. Esses recursos serão destinados à recuperação da infraestrutura operacional, que inclui a substituição de postes, trilhos e dormentes, além da revitalização de transformadores e modernização da rede aérea.
Esses investimentos terão auditoria independente para assegurar total transparência. Durante o período de transição operacional, já foram aplicados mais de R$ 160 milhões em melhorias no serviço. Conforme informações da Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana, esses recursos contribuíram para reduzir intervalos entre os trens e tempos de viagem, além de possibilitar a troca de cabos como parte das ações para mitigar os danos causados por furtos que impactam a circulação dos trens.
O governo também planeja intensificar as ações contra furtos e atos de vandalismo ao longo dos ramais em parceria com as forças de segurança.
A malha ferroviária atualmente abrange 270 quilômetros, distribuídos em cinco ramais, três extensões e 104 estações.
Mudança no modelo operacional
Com o fim da antiga concessão, o sistema ferroviário passa a operar sob um Contrato de Permissão com duração de cinco anos. Uma das principais alterações é no modelo de remuneração da operadora: ao invés do pagamento ser baseado no número de passageiros transportados, a Nova Via Mobilidade receberá conforme a quilometragem percorrida pelos trens. Esse novo formato é semelhante ao utilizado no transporte aquaviário pelo Estado e visa proporcionar maior previsibilidade nas operações.
O consórcio Nova Via Mobilidade foi o único a apresentar proposta para assumir a operação do sistema e teve sua habilitação confirmada após uma minuciosa análise técnica e validação judicial realizada pela 6ª Vara Empresarial, atendendo aos critérios estabelecidos no edital.