Nesta terça-feira (5), a Polícia Federal deteve Rui Carvalho Bulhões Júnior, que foi chefe de gabinete e é considerado um dos principais assessores de Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). As informações foram divulgadas pelo portal Tempo Real.
A ação faz parte da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de fraudes em contratos na área educacional no estado do Rio de Janeiro. Na mesma operação, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) também foi apprehendido.
Rui Bulhões é visto como um aliado fundamental de Bacellar. Ele colaborou com o ex-presidente da Alerj em diversas esferas do serviço público, incluindo a Fenorte, a Secretaria de Governo (Segov) e a própria Assembleia Legislativa.
Planilha com solicitações políticas encontrada
O avanço das investigações se deu por meio da análise de documentos apreendidos em gabinetes e locais conectados a Rodrigo Bacellar, incluindo o computador utilizado por Rui Bulhões durante seu tempo na presidência da Alerj.
Dentre os arquivos encontrados, a Polícia Federal localizou uma planilha intitulada “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx”, que continha uma lista de políticos com indicações sobre o que cada um já possuía e o que estava solicitando.
Os investigadores acreditam que esse material pode sugerir um mapeamento de cargos e posições políticas em instituições públicas relevantes.
Rodrigo Bacellar, que já havia sido preso em uma fase anterior da investigação, recebeu um novo mandado de prisão preventiva nesta mesma data.
Quem é Rui Bulhões
Rui Bulhões é reconhecido como um dos integrantes mais próximos do grupo político liderado por Rodrigo Bacellar. A relação entre ambos remonta aos primeiros anos da carreira política de Bulhões no interior do estado, principalmente em Campos dos Goytacazes.
Antes de se estabelecer na política, Bulhões exerceu atividades fora desse âmbito, como personal trainer e músico. Com o passar do tempo, ele passou a assumir posições dentro do círculo próximo a Bacellar, acompanhando sua trajetória política ascendente.
À medida que Bacellar ampliou sua influência no estado, Rui também conquistou cargos considerados estratégicos inicialmente no Norte Fluminense e posteriormente em funções relevantes na capital.
Nome já mencionado em investigações anteriores
Rui Bulhões já havia sido mencionado em apurações passadas. Em uma investigação realizada pelo Ministério Público desde 2010 sobre possíveis irregularidades na administração municipal de Cambuci, ele atuava como secretário de Obras durante o período investigado.
No entanto, apesar das menções feitas, aquela investigação não resultou em sanções contra ele à época.
Além de suas atividades no serviço público, Rui Bulhões possui laços empresariais com Rodrigo Bacellar. Ambos são sócios em uma empresa voltada para eventos localizada no interior do estado, evidenciando uma relação que transcende o ambiente político.
Esse histórico de proximidade entre cargos públicos e interesses empresariais é frequentemente citado por opositores como crucial para compreender a estrutura de poder estabelecida ao redor de Bacellar nos últimos anos.