Você que está na Cinelândia, admirando esse magnífico teatro, tem toda razão. Ele realmente é impressionante. Observe a escadaria, as colunas coríntias e os balcões. E quanto aos vitrais, já notou como são deslumbrantes? Se decidirem voltar à noite, poderão ver a luz interna filtrando através deles, criando um espetáculo de cores. Notem também o telhado de cobre, que está começando a perder a pátina artificial adquirida durante o último restauro, dando espaço para uma pátina natural. No momento, há um tom amarronzado surgindo. Isso é normal; o cobre possui uma evolução própria de cor até se transformar no característico verde do azinhavre.
Aproveitando que estão olhando para cima, aposto que notaram a imponente águia dourada sobre a cúpula mais alta e os ornamentos igualmente dourados ao seu redor. Esse douramento quase não acontece atualmente. Embora tenha existido no início da história do teatro, ele foi consumido por reações químicas com o cobre. Era necessário realizar esse trabalho novamente, mas quem dominava essa técnica por aqui? O processo de douramento no cobre difere daquele aplicado nas talhas de madeira das nossas igrejas barrocas.
Para isso, foi necessário entrar em contato com o Sr. Fabrice Gohard, que já havia realizado esse procedimento na cobertura da Ópera de Paris e na tocha da Estátua da Liberdade. Sim, a tocha é realmente dourada; nada comparável às versões falsas encontradas em determinadas lojas de departamentos. O Sr. Gohard e sua equipe se dedicaram intensamente para aplicar as finíssimas folhas de ouro nas diversas peças decorativas. Uma vez fixadas nos ornamentos, essas folhas permanecerão reluzentes por muitos anos.
Olá para você que apresenta seu ingresso ao porteiro para escanear o código de barras. Geralmente ele é jovem e bem vestido, focado mais no seu bilhete do que em você. Vale lembrar que nem sempre foi assim. Na década de 1970, os porteiros eram funcionários mal remunerados que mantinham um olhar atento aos visitantes na entrada. Em troca de permitir a entrada de alguns sem ingressos, aceitavam pequenas gorjetas clandestinas. Para os jovens artistas sem dinheiro da época, isso era uma forma valiosa de conseguir ver suas apresentações favoritas.
Os colaboradores do Theatro já estavam tão familiarizados com o ambiente que conheciam os frequentadores regulares pelo nome. Eles costumavam puxar conversa, perguntar sobre a família e compartilhar um pouco das suas próprias histórias pessoais – como o filho prestes a entrar na faculdade e as dificuldades para custear as mensalidades.
Ei você aí, estudante de ballet! Que tal fazer uma pose nessa escada rumo ao balcão nobre? Após tirar sua foto, não deixe de notar os mármores e ônix verdes presentes nessa escada e também as figuras femininas nos corrimãos. E não perca a escultura em mármore de Carrara chamada A Verdade que preside sua ascensão; ela certamente adiciona esplendor à sua visita ao teatro.
Vocês três no Foyer do teatro! Olhem para cima e admirem a impressionante pintura A Música, criada por Eliseu Visconti. Essa obra é feita com uma técnica pontilhista, onde milhares de pequenas pinceladas se sobrepõem às figuras e formas com reflexos do impressionismo. Ao entrarem na sala principal do espetáculo, encontrarão no teto a obra As Horas e outras pinturas no proscênio e no pano de boca, todas do mesmo artista.
Cuidado ao se inclinar sobre esses balcões que se projetam acima da escadaria! Um deles já sofreu um acidente e despencou sobre os degraus lá embaixo. O Theatro Municipal repousa sobre centenas de estacas de madeira que estão mergulhadas na lama do subsolo da Cinelândia; cada passagem do metrô ou ônibus mais veloz altera ligeiramente o equilíbrio estrutural do local. Isso provoca microtrincas nas paredes em mármore e pode deixar algumas partes soltas. Contudo, não se preocupem: essa balaustrada já foi restaurada e está segura neste momento.
Falando em subsolo, recomendo ao senhor que chegou cedo para o concerto ou a ópera dar uma passada no térreo onde encontra-se o Salão Assyrio. Entre colunas adornadas com touros e seres alados além de fontes e mosaicos, você encontrará representações cerâmicas como Gilgamesh dominando um leão e Dario I enfrentando o gênio maligno; essas obras convidam você a se perder em contos orientais fascinantes.
Agora que você está novamente na plateia, saiba que o espetáculo começará em breve! Neste momento crítico, os maquinistas preparam-se para elevar ou abaixar os cenários na hora certa enquanto os contrarregras organizam todos os objetos necessários para a cena. A equipe responsável pela iluminação trabalhou arduamente ajustando cada refletor pendurado em suas varas específicas. O diretor de palco aguarda atrás da cortina fechada pronto para sinalizar quando deve ser acionado o terceiro sinal; logo após isso as luzes da plateia começarão a se apagar. Aproveite este instante cheio de expectativa sublime; poucas emoções são tão intensas quanto essa! Tenham um ótimo espetáculo!